Marisa na linha do Vouga, que "há 100 anos está praticamente igual"

Candidata viaja 37 minutos entre Águeda e Aveiro e denuncia desinvestimento na ferrovia. Revisor Acácio lamenta que só um dos troços tenha merecido intervenção

Eram 8.23 quando Marisa Matias entrou no comboio regional que liga Espinho a Aveiro. A candidata à Presidência da República não fez todo o percurso mas os 37 minutos da viagem entre Águeda e Aveiro chegaram e sobraram para demonstrar o que pretendia: a linha do Vouga está em agonia.

Não só faltam condições - até de segurança - às estações e apeadeiros como os horários fazem penar todos os utentes. Se em hora de ponta são escassos, fora dela passam com intervalos superiores a uma hora. Foi essa a queixa que a eurodeputada, habituada ao uso de transportes públicos, mais ouviu - da qual fez eco no final da viagem.

"Há sobretudo uma desadequação muito grande dos horários em relação àquilo que são as necessidades das pessoas e, por exemplo, alguém que trabalhe aqui nesta zona, [mesmo que] tenha distâncias tão curtas, não pode ter a opção de ir almoçar a casa", salientou Marisa aos jornalistas, acrescentando que de manhã certos comboios não permitem que os passageiros cheguem a horas ao trabalho e até no regresso a casa não possuam "muitas opções".

"Se se falhar o comboio das 18.17, tem de se esperar uma hora e meia pelo seguinte", ilustro em jeito de desabafo. "Nós precisamos de transportes de qualidade. Isso é que garante que temos mesmo a afirmação de um país igual e coesão territorial", alertou ainda candidata apoiada pelo BE.

À boleia do que já tinha afirmado o revisor Acácio, que entre "bons dias" e bilhetes, foi traçando o cenário da linha do Vouga, Marisa sublinhou que "é preciso investimento forte nas redes de transportes públicos e na ferrovia" e, em particular, considera "importante fazê-lo fora dos grandes centros urbanos".

Acácio validava essa perspetiva, notando que aquela linha "há 100 anos está praticamente igual". Poucas obras houve, atirou o funcionário. "Só no final do ano que passou" ali houve intervenções. E apenas num troço.

Marisa não gostava do que via e ouvia e, quando questionada pelos jornalistas sobre se os responsáveis políticos poderiam dar o exemplo e ter uma palavra a dizer no incentivo à utilização e modernização de transportes públicos, não hesitou. "Eu, com exceção da campanha, não faço outra coisa. Não tenho carro, não conduzo e, portanto, conheço muito bem as redes de transportes públicos no país inteiro. E são muito desiguais. Quando quem governa o país usa os transportes públicos isso demonstra bem a qualidade desses transportes", apontou a bloquista.

A rematar a manhã do sexto dia de campanha, a candidata lembrou as discussões que ela própria e o partido já travaram sobre a ferrovia, lamentou que a "desadequação" dos meios e dos horários possa conduzir a que as pessoas "desistam" de os utilizar e isso sirva de "desculpa" para a privatização ou desmantelamento dos troços.

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