Marisa diz candidatar-se "livre de interesses": "Só pode ser amor"

Candidata apoiada pelo BE introduz pela primeira vez o tema da corrupção na sua campanha. Mas recusa "generalizações que só beneficiam os corruptos"

O tema é novo na campanha de Marisa Matias. A candidata à Presidência da República aproveitou um jantar nesta terça-feira, em Leiria, para falar de corrupção. E daquilo que se pode (ou deve) fazer contra ela e, por outro lado, das ferramentos que são desnecessárias nessa batalha. Dito de outra forma, elencou todas "zonas escuras da economia" e as relações entre os setores público e privado que devem ser combatidas. Por outro lado, foi assertiva quando disse que se candidata a Belém "livre de interesses que põem em causa a independência do país".

A eurodeputada quer ser "uma Presidente livre de interesses" e até recorreu a um ditado popular para falar daquilo que a move na corrida à sucessão a Cavaco Silva. "Eu não me candidato por interesse e não sendo por interesse só pode mesmo ser por amor", atirou Marisa.

Antes, e com o ex-coordenador do BE João Semedo, o vice-presidente da Assembleia da República José Manuel Pureza e o também deputado Heitor de Sousa (eleito pelo círculo de Leiria) entre o conjunto de apoiantes, identificou vários pontos em que é preciso atuar para combater a corrupção: "Abolir os paraísos fiscais e os regimes de privilégio fiscal, taxar fortemente as mais-valias urbanísticas e punir o enriquecimento ilícito, estabelecer o princípio da exclusividade no exercício de cargos públicos e combate ao fenómeno da porta giratória [entre o Estado e grandes empresas], reforçar os meios de investigação criminal e facilitar a derrogação do sigilo bancário."

Porém, num tema que é controverso e que queima e que outros candidatos já colocaram na agenda destas presidenciais, Marisa frisou que esta cruzada não pode ser feita "atirando lama em todas as direções" e "poluindo a democracia". "A corrupção não se resolve com generalizações que, aliás, só beneficiam os corruptos", advertiu.

No discurso que encerrou o terceiro dia oficial de campanha, a dirigente bloquista voltou a alfinetar Marcelo Rebelo de Sousa - embora sem se referir especificamente ao candidato apoiado por PSD e CDS - realçando que recusa ser "politicamente correta", mas, ao invés, que pretende ser "politicamente verdadeira". Por fim, outro remoque: cada um dos candidatos deve pautar a sua campanha pela regra de utilizar a cara que tem e não "uma cara de ocasião".

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