Maria Luís em Bilderberg ao lado do amigo Schäuble

Maria Luís, Barroso e o CEO da Galp na reunião do grupo dos mais poderosos do mundo.

A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, o CEO da Galp, Carlos Gomes da Silva, e o ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso são os três portugueses que participam na reunião de Bilderberg que começa hoje e dura até domingo, em Dresden, na Alemanha.

Os portugueses fazem parte dos 130 convidados que vão discutir assuntos como a China, a crise migratória na Europa, a Rússia, o Médio Oriente, a atual situação política dos EUA, a cibersegurança a geopolítica dos preços energéticos, a inovação tecnológica e a precariedade na classe média.

O grupo de Bilderberg reúne-se uma vez por ano, os participantes só são revelados na véspera e a localização só um mês antes da conferência. Tudo o que se passa e é discutido não pode ser atribuído a ninguém (segue-se a chamada Chatham House Rule).

A revista Visão já tinha anunciado em abril a ida de Maria Luís e também do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, à reunião. No entanto, Medina não consta da lista que a organização enviou ao DN. Fonte do gabinete do autarca explicou ao DN que Medina chegou a estar convidado, mas por compromissos decorrentes das comemorações do 10 de junho, acertados com o Presidente da República, teve de declinar o convite de Bilderberg.

Quem vai na vez de Medina é o presidente executivo da Galp e homem de confiança de Américo Amorim, Carlos Gomes da Silva. A ida de Gomes da Silva - sugerido por Barroso, que há um ano substituiu Francisco Pinto Balsemão no Comité Diretor de Bilderberg - justifica-se por serem discutidos os atuais preços da energia no mundo.

A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque também já falou ao DN sobre a ida amanhã a Bilderberg. A antiga governante garantiu que "o convite foi feito diretamente pela organização do evento" e justificou porque aceitou: "Simpatizo muito pouco com teorias da conspiração. É uma oportunidade de lidar com outras pessoas e melhorar o meu conhecimento."

Maria Luís recusou ainda considerar estranho que uma reunião em que estão políticos eleitos não tenha escrutínio, pois "não estão a tomar medidas que tenham impacto público". E acrescentou: "Nunca estive em nenhum Bilderberg, mas não me consta que estejam lá a ser tomadas decisões executivas em país nenhum, e portanto não vejo muito bem como é que isso pode ser considerado conspirativo."

A ex-ministra vai poder rever em Bilderberg alguns antigos colegas do Eurogrupo. Desde logo, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble - seu amigo e com quem partilhou várias reuniões do Eurogrupo quando era governante -, mas também o ministro das Finanças irlandês, Michael Noonan.
No encontro com mais de 130 participantes de 20 países, marcam presença figuras como os primeiros-ministros da Holanda, Mark Rutte, e da Bélgica, Charles Michel. Estarão ainda figuras da banca, como a espanhola Ana Botín, presidente do conselho de administração do Santander, grupo que comprou o Banif.

Pode haver más notícias para António Guterres no jogo de bastidores que os candidatos a secretário-geral da ONU têm de fazer para suceder a Ban Ki-moon. Isto porque o grupo é importante a fazer lóbi nas organizações internacionais e a vice-presidente da comissão europeia, Kristalina Georgieva, estará presente. A búlgara não é, para já, a candidata do país a secretária-geral da ONU (tem a vantagem de ser mulher e da Europa de Leste), mas fala-se num aparecimento tardio, substituindo a também búlgara Irina Bokova.

Se Georgieva vier mesmo a ser rival de Guterres, a búlgara terá aqui um palco para estabelecer contactos internacionais ao mais alto nível, com figuras como o antigo secretário de Estado norte-americano e "velha raposa" da diplomacia, Henry Kissinger.

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