Marco António Costa: Governo de Passos Coelho foi vítima de "artimanha" do PS

Vice-presidente do PSD acusa PS de ter chegado ao poder "por arranjo administrativo-político-partidário"

O vice-presidente do PSD disse hoje que o Governo de Passos Coelho foi vítima da "artimanha" do PS e que o partido, ao contrário do que outros fizeram na oposição, irá ajudar o país "a resolver os seus problemas".

"Nós fomos tão vítimas como os portugueses de uma artimanha montada nas costas dos portugueses para conquistar o poder não pelo voto, mas por arranjos políticos ou administrativos dentro do parlamento. E isto tem que ficar claro para todos os portugueses que nos depositaram a sua confiança", afirmou Marco António Costa.

O dirigente do PSD falava na Guarda, na sessão de encerramento da segunda edição da Academia do Poder Local realizada pelo PSD e pelos Autarcas Social-Democratas, com 71 participantes de todo o país, com idades entre os 24 e os 65 anos.

Na sua intervenção, disse que o PSD é um partido "responsável" e que se bate por princípios e dentro dos princípios que defende, "o respeito impecável pela democracia" é "fundamental".

Observou que "ficou claro para todos os portugueses" que só não foi possível obter do PS o apoio indispensável para uma maioria parlamentar "porque o PS desde a primeira hora estava com uma reserva mental e tinha montado esta artimanha para chegar ao poder não pelo voto e pela confiança dos portugueses", mas "por arranjo administrativo-político-partidário no Parlamento".

Marco António Costa disse no entanto que "a situação bizarra que sob o ponto de vista político hoje o país vive", não deve impedir o PSD de assumir "integralmente" as responsabilidades na oposição.

"Nós serviremos os portugueses onde tivermos que os servir: no poder ou na oposição. Contrariamente a muitos outros partidos que quando estão na oposição se recusam em colaborar com o país e em ajudar o país a resolver os seus problemas", assegurou.

Segundo o vice-presidente do PSD, para o partido "é claro que este Governo tem um pecado original, que é o pecado de não ter sido escolhido pelos portugueses e de não ter sido explicado aos portugueses no período de campanha eleitoral que este cenário se construiria se houvesse uma maioria de esquerda no somatório de todos os votos dos partidos que estão à nossa esquerda".

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