Marcelo: "O que nos une é mais importante do que aquilo que nos separa"

No final do almoço histórico no Palácio de Belém, o Presidente da República salientou que "a Constituição é importante quando serve para melhorar as condições de vida das pessoas". Marcelo voltou a falar em diálogo e convergências

Durou pouco mais de uma hora a refeição que juntou 19 personalidades históricas da democracia portuguesa, entre ex-deputados da Constituinte de 1975/1976 e ex-presidentes da Assembleia da República.(AR),para celebrar os 40 anos deste evento. O convite partiu de Marcelo Rebelo de Sousa, o anfitrião, e de Eduardo Ferro Rodrigues, atual Presidente da AR.

"Este almoço serviu para fazer uma evocação e um desafio", assinalou o Presidente da República (PR), à saída da sala de jantar. "Evocação porque se quis lembrar o mérito da criação de uma constituição em plena revolução. Desafio porque os portugueses só percebem a importância da Constituição e da democracia se viverem melhor. E esse é o grande desafio. Criar condições para dar vida à Constituição e que as pessoas vivam melhor", salientou.

Marcelo Rebelo de Sousa confidenciou aos jornalistas que a conversa durante a refeição - creme de couve-flor, tranche de garoupa e vinho do Douro - circulou à volta da mesa e centrou-se nas recordações do dia dois de abril há 40 anos, no qual também participou como deputado. "Foi um dia em cheio muito intenso para todos. A Constituição era muito longa e teve de ser lida do princípio ao fim. Depois votada e promulgada. No final todos confraternizámos, mesmo os deputados das bancadas com menos relações".

O Presidente não hesita em responder "sem dúvida" quando questionado se esse momento histórico pode servir de exemplo na atualidade e para a presente geração política. "A Constituição é um ponto de encontro para partidos muitos diferentes. É simbólica. Cada qual tem as suas ideias, as suas opções e os seus caminhos, mas o que nos une é mais importante do que aquilo que nos separa. O que nos une é a constituição e melhorar a vida dos portugueses". Por isso, afirma, "é bom que haja várias alternativas internas para o governo do país e cada vez mais diálogo e convergência entre todos. Por vezes é possível convergências de regime, outras vezes não. Mas deve sempre manter-se o espírito da Constituição, de unidade nacional".

Eduardo Ferro Rodrigues também assinalou a "importância" desta reunião, sublinhando que a "situação hoje é muito melhor que em 1976, havendo condições e vontade política de muita gente em que haja mais convergência".

Marcelo e Ferro foram os únicos que falaram aos jornalistas. Alberto Arons de Carvalho foi o primeiro a sair, discretamente. Enquanto o PR e o Presidente da AR falavam, iam passando por trás, algumas acenando, outras personalidades. Jerónimo de Sousa desculpou-se com "uma iniciativa" onde tinha que estar às 15 horas. A seguir saíram Basílio Horta e Freitas do Amaral. O trio Manuel Alegre, Carlos Brito e Viral Moreira deixaram a sala pouco depois, em conversa descontraída.

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