Marcelo garante: não haverá instabilidade em Portugal

O Presidente da República afastou qualquer cenário de crise institucional, um discurso para tranquilizar os investidores. "Quando eu digo não haverá (instabilidade), não haverá"

Palavra de Presidente: não haverá instabilidade em Portugal que ponha em causa o crescimento da economia. Na abertura do Fórum empresarial na cidade do México, o Presidente afastou qualquer cenário de crise institucional, afirmando que "não há razões políticas, por fortes que sejam, que justifiquem a criação de instabilidade num processo tão sensível como é o crescimento do sistema financeiro, bancário e de crescimento económico". E para que não haja dúvidas, Marcelo Rebelo de Sousa foi perentório: "quando eu digo não haverá (instabilidade), não haverá."

Perante o ministro da economia, Manuel Caldeira Cabral, e uma plateia de empresários portugueses e mexicanos, o chefe do Estado assumiu uma "autoridade peculiar" nesta matéria, frisando que "todas as análises e decisões de crise passam pelo presidente da República" e por isso "não haverá razões institucionais que limitem a capacidade de crescimento do país". Já no encontro com a comunidade portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa tinha afirmado existirem razões para otimismo, embora pedindo aos emigrantes que "não fiquem irritantemente otimistas, mas realisticamente otimistas". O chefe do Estado admite que pode ter havido falhas, mas, nos momentos difíceis, "o país esteve sempre à altura das circunstâncias". "Somos um grande país", com uma "capacidade notável de heroísmo" e por isso os portugueses deviam olhar para o espelho todos os dias, afirmou, num apelo à autoestima nacional.

Com otimismo quanto baste, Marcelo Rebelo de Sousa acredita que "com bom senso, Portugal pode e vai crescer nos próximos anos". O controlo do défice merece hoje consenso nacional e até a nível europeu há sinais positivos. Nem o brexit vai travar o crescimento, antevê o presidente, vendo em todas as eleições europeias este ano "condições para o crescimento europeu".

Os negócios dominaram o que o Presidente definiu como uma visita oficial "curta, intensa e proveitosa", com projetos concretos de parceria entre Portugal e o México, que avançam já nos próximos dias, mas no plano cultural, outra das prioridades da viagem, o balanço também se mostrou positivo. No próximo ano, Portugal deve receber uma exposição de Frida Kahlo, em Portugal. O presidente visitou a casa azul onde viveu a artista mexicana e que hoje serve de museu. À porta, a longa fila de visitantes não reconheceu o chefe do Estado português, que, nos dois dias e meio em que esteve no México, teve apenas um encontro mais efusivo com populares na rua. Junto ao Templo Mayor, no centro histórico da cidade, um grupo de três brasileiras procurava identificar a comitiva presidencial e confessaram a honra, quando Marcelo alertado para a curiosidade das jovens, voltou atrás para as cumprimentar. "Tenho família no Brasil, em São Paulo", revelou o Presidente, que momentos antes tinha também passado pela Catedral metropolitana da cidade do México, das mais antigas do continente americano.

Majestoso e esmagador foi como o presidente classificou o monumento, que faz parte das lista de locais considerados património mundial e sob ameaça, devido à instabilidade dos solos. Na Catedral, o Presidente fez questão de se ajoelhar no momento da bênção, subiu até ao órgão e no altar procurou a rainha Isabel, pedindo que lhe fosse tirada uma fotografia. Marcelo juntou alguns momentos descontraídos a uma agenda cheia, na primeira vez que esteve no México. Vindo da Venezuela, um emigrante português aproveitou para pedir apoio ao chefe do Estado. O presidente lembrou que Portugal privilegia o diálogo como solução para a crise na Venezuela.

Enviada especial DN/TSF

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