Marcelo: "Farei o possível para governo ser duradouro"

Candidato garante que vai evitar ao máximo a dissolução do Parlamento. E diz que os apoios de PSD e CDS não o vinculam a nada

Marcelo Rebelo de Sousa demarcou-se ontem das pretensões de PSD e CDS ao afastar o cenário de eleições antecipadas. Em entrevista à SIC, o candidato a Presidente da República disse esperar que a solução de governo do PS, com apoio parlamentar de BE, PCP e PEV, "dê certo". "O Presidente da República não tem de ter estados de alma em relação ao governo que está em funções. Eu farei o possível para que seja duradouro", afirmou.

Numa entrevista de 40 minutos em que se distanciou, e muito, de Cavaco Silva - chegou a dizer que o atual Presidente "é passado" e que ele próprio tenciona ser "o futuro" -, Marcelo sublinhou que "o pior que podia acontecer ao país era no quadro de um mandato presidencial de cinco anos haver dois ou três governos". "Era pior porque estamos a sair da crise, temos de sarar feridas e fazer a ponte entre os dois países [de esquerda e direita], temos de recriar consensos de regime", reforçou para enfatizar o "magistério de imparcialidade e de equilíbrio" que tenciona pôr em prática em Belém.

Antes, na inauguração de uma livraria em Lisboa, o ex-líder do PSD frisou estar pronto para "coabitar" com António Costa e, vestindo a pele de Chefe do Estado, respondeu de forma categórica quanto à crença de que o executivo socialista dure quatro anos: "O primeiro-ministro diz que sim e o Presidente da República deseja que sim."

E os acordos assinados pelo PS com as forças de esquerda dão-lhe essas garantias? Marcelo não hesita e mantém o papel de primeira figura do Estado: "O Presidente que vai entrar em funções entra com a convicção de que é bom para o país que não haja crises, instabilidades e que seja possível realizar os objetivos que não são apenas do governo, devem ser objetivos nacionais."

Na SIC, deixou ainda um recado a Pedro Passos Coelho e a Paulo Portas, avisando que vai evitar ao máximo dissolver o Parlamento. Só o fará, apontou, "no caso de haver uma grave crise" ou nas "relações entre o governo com os outros órgãos de soberania" que "ponha em causa o regular funcionamento das instituições". E identificou duas condições: não haver hipótese de "encontrar uma solução alternativa no quadro do mesmo Parlamento" e existir "uma forte probabilidade de a solução do problema" emanar de uma nova ida às urnas, como sociais-democratas e centristas têm reivindicado.

A entrevista mereceu uma dura reação de um antigo assessor de Passos no Facebook: "Quanto mais ouço o professor Marcelo mais claro tenho em quem não vou votar."

Apoios do PSD e do CDS

Ora, e se na quinta-feira os conselhos nacionais do PSD e do CDS devem validar o apoio ao professor, Marcelo reage com cautela. Aceita os apoios mas frisa não se "vincular" às posições da direita. Salienta, aliás, que vai suspender a militância quando, e se, entrar em funções. Isto apesar de não querer "renegar a sua matriz social-democrata".

Sobre o Orçamento para o próximo ano, e "a pensar nos portugueses", advogou que a 9 de março já devia estar em vigor, até porque pouco tempo depois, devido ao semestre europeu, terá de ser enviado um esboço das principais linhas orçamentais para 2017.

Insistindo na tese de que fará uma "campanha solitária" e barata, Marcelo analisou ainda as sondagens, que lhe dão franca vantagem face aos demais candidatos. As públicas e aquelas que não o são - mas que diz conhecer. E foi perentório: "Acho que ganho quer à primeira quer à segunda volta. Só não sei se a vitória na primeira volta é suficientemente folgada para não ir à segunda."

À noite, houve ainda tempo para um debate no Círculo Eça de Queirós, também em Lisboa.

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