Marcelo, ministro da Defesa e chefes militares reúnem-se em Tancos

Reunião ocorre após o furto de material militar nos paióis de Tancos

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai esta tarde à base militar de Tancos, de onde foi roubado material de guerra na semana passada. Com o presidente vai o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, que está no meio da polémica política e militar e viu a líder do CDS pedir a sua demissão esta segunda-feira.

Marcelo Rebelo de Sousa e Azeredo Lopes vão reunir-se com o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Pina Monteiro, e com o Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Rovisco Duarte.

Suspeitas de terrorismo internacional

Esta terça-feira, a Procuradoria-Geral da República confirmou que no roubo de material de guerra em Tancos, "estão em causa, entre outras, suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional".

O furto de material de guerra em paióis de Tancos foi detetado no dia 28 de junho, tendo o Exército anunciado que desapareceram granadas de mão ofensivas e munições de calibre de nove milímetros.

No dia 30, o Exército acrescentou que entre o material de guerra roubado dos Paióis Nacionais de Tancos estão "granadas foguete anticarro", granadas de gás lacrimogéneo e explosivos, mas não divulgou quantidades.

Marcelo pede "investigação total, doa a quem doer"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, voltou hoje a exigir "uma investigação total" no caso do furto de material militar nos paióis de Tancos, "doa a quem doer e não deixando ninguém imune".

O chefe de Estado reafirmou a necessidade de se apurarem "factos e responsabilidades", no caso do furto de diverso material militar nos paióis de Tancos, anunciado no quinta-feira pelo Exército.

"Pensando no prestígio de Portugal, no prestígio das Forças Armadas, pensando na autoridade do Estado e na segurança das pessoas, é muito simples: tem de se apurar tudo, de alto a baixo, até ao fim, doa a quem doer", disse Marcelo Rebelo de Sousa, em resposta aos jornalistas, em Castanheira de Pera, distrito de Leiria, pouco antes de partir para Tancos.

Exoneração de chefias gerou contestação entre militares

No sábado, o porta-voz do Exército esclareceu que as exonerações de cinco comandantes decididas pelo chefe do ramo, Rovisco Duarte, são temporárias e vigoram até serem concluídas as averiguações ao furto de material de guerra em Tancos.

Oficiais do Exército na reserva e na reforma estão a organizar um protesto simbólico na quarta-feira junto ao Palácio de Belém para manifestar solidariedade com os cinco comandantes afastados temporariamente.

"A ideia é a solidariedade para com os coronéis exonerados e uma crítica ao poder político pela desinformação à população e pelo desinvestimento nas Forças Armadas", afirmou à Lusa o coronel na reforma Tinoco de Faria, um dos participantes.

Os militares exonerados são o comandante da Unidade de Apoio da Brigada de Reação Rápida, tenente-coronel Correia, o comandante do Regimento de Infantaria 15, coronel Ferreira Duarte, o comandante do Regimento de Paraquedistas, coronel Hilário Peixeiro, o comandante do Regimento de Engenharia 1, coronel Paulo Almeida, e o comandante da Unidade de Apoio de Material do Exército, coronel Amorim Ribeiro.

Sentinelas com armas sem munições e falhas na segurança dos paióis

Os paióis de Tancos, assim como todos os outros do país, estavam a ser vigiados por militares que carregavam armas sem munições. Esta medida tem sido aplicada em todas as unidades militares do país para evitar acidentes desde o início dos anos 90.

Os militares traziam nos cinturões os carregadores com munições - dois no máximo - lacrados e com cintas, o que dificulta o seu uso imediato em situações de emergência.

Além disso, o número de militares a fazer ronda também deixava os paióis desprotegidos, falha atribuída à falta de recursos humanos. Segundo o Jornal de Notícias, estavam de sentinela não mais de 10 militares diariamente e as torres de vigia estavam desativadas. Os paióis de Tancos, de onde foi roubado material de guerra, têm 20 instalações críticas.

Reforços na segurança com normas de 1980

O Exército vai voltar a aplicar normas de segurança dos anos 1980, pelo menos em torno dos paióis de Tancos, disse um oficial do ramo ao DN. Decisão foi tomada na reunião de ontem à tarde, oficialmente já agendada do Conselho Superior do ramo, que juntou uma centena de militares (entre generais e coronéis com funções de comando e direção).

Demissão do ministro da Defesa

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, pediu esta segunda-feira a demissão do ministro da Defesa Nacional, alegando que este governante, assim como a ministra da Administração Interna, não soube "estar à altura das suas responsabilidades".

"Estamos convencidos de que não é possível restaurar a quebra de confiança que neste momento existe nas instituições do Estado na área da segurança, da proteção das pessoas e da soberania e restaurar a nossa credibilidade internacional sem que haja uma alteração nos titulares das pastas nestas duas áreas e foi isso que nós transmitimos ao senhor Presidente da República", sustentou Assunção Cristas.

"O que se passou nas últimas semanas em Portugal ultrapassou todas as marcas", continuou Cristas.

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