Marcelo desce à terra. Nóvoa ganha fôlego

Debate com Nóvoa forçou tom mais agressivo, mas Marcelo continua sem querer ajuda do PSD e recusa mudar plano

Não mudar, para que tudo fique na mesma. Incluindo as sondagens. A estratégia de Marcelo Rebelo de Sousa após o debate menos bem sucedido com Sampaio da Nóvoa na quinta-feira- que o obrigou a ser mais agressivo do que a imagem que pretende passar - é desvalorizar este episódio. A ideia é seguir o que já estava previsto: uma campanha quase sem máquina, low cost e de "espírito familar".

"Foi apenas um debate. Não muda nada". Foi desta forma que fonte da campanha de Marcelo Rebelo de Sousa garantiu que o professor não vai mudar um vírgula do que tinha planeado.

Marcelo que chamou "soldado-raso" a Sampaio da Nóvoa e atirou-lhe com frases como "eu não vim num uma carrinha com seis assessores", irritou-se durante o debate, fugindo da calma e serenidade que tem procurado na fase de pré-campanha. Com Maria de Belém voltou a existir tensão (ver texto ao lado).

A equipa de Marcelo é um círculo pequeno e o ex-líder do PSD continua a recusar pedir ajuda ao seu partido. Fonte social-democrata explicou ao DN que "só mesmo na fase de assinaturas é que militantes do PSD ajudaram, mas desde aí Marcelo escolheu a sua equipa e só trabalha com eles".

A mesma fonte do PSD explicou ao DN que "a qualquer momento, se ele necessitar, estamos prontos, mas ele definiu esta estratégia, de ser uma coisa mais familiar e, pronto, lá segue no seu carrito de terra em terra".

Até porque o principal conselheiro político de Marcelo é... Marcelo. "Ele ouve algumas pessoas, mas depois é sempre ele que decide, ele é o grande estratega e ele quer as coisas assim, em vez da máquina profissional. E também de passar mais esta imagem de avô, que não vai ia confronto. Veremos dia 24 se resulta", explicou a mesma fonte. Outra fonte social-democrata confia na "experiência do diretor de campanha, o Pedro Duarte, que saberá se precisa ou não do partido".

Os barões do centro-direita lá vão aparecendo para dar o apoio a Marcelo. Um dia depois do debate, o professor contou com o apoio do ex-presidente da comissão Europeia . Durão Barroso disse ontem que "o professor Marcelo , pela sua grande experiência, pela sua preparação e pelo seu sentido de Estado é sem dúvida o melhor candidato nestas presidenciais. Penso que poderá vir a ser um excelente Presidente da República." Três dias antes o fudnador do CDS Freitas do Amaral, tinha feito o mesmo.

O ex-militante histórico do PSD, António Capucho, diz ao DN que este debate "não faz o Marcelo perder a dianteira, mas dá um ânimo novo ao Sampaio da Nóvoa, que já não vem de agora, já que Maria de Belém está em perda".

Depois deste debate, diz o ex-presidente da câmara municipal de Cascais "aos olhos dos eleitores Sampaio da Nóvoa passa a ser o challenger, o segundo classificado. Isso ficou claro".

Capucho - que é amigo de Marcelo, mas publicamente não revela o sentido de voto - considera que "o argumentário de Marcelo não foi a mais brilhante e não foi ao encontro da imagem que ele queria passar".

Para o antigo militante social-democrata "à partida Marcelo não vai alterar a estratégiaque utilizou até ontem [quinta-feira] antes do debate".

Nóvoa ganha ânimo

Quem saiu favorecido do debate de quinta-feira foi António Sampaio da Nóvoa, que estava a ter uma "semana boa" e ainda ficou mais animado após debate com Marcelo.

Fonte da campanha explicou ao DN que "o fôlego não é só de agora. Este janeiro está a ser muito bom. Cada vez há mais pessoas a oferecerem-se para serem voluntários da campanha". A mesma fonte considera que este é um "reflexo normal" do facto de a imprensa ter acordado para as Presidenciais, mas admite que o debate potenciou este "novo fôlego". Apesar de destacar que é um "mero indicador", fonte da campanha explicou que "esta têm aumentado o número de seguidores no Twitter e no Facebook e houve um novo pico após o debate".

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