Marcelo cumpre promessa eleitoral com uma garrafa de bagaço

Presidente eleito garante que já tem o discurso pronto para a tomada de posse. Mas até lá não comenta assuntos políticos

Foi sem comentários políticos e apenas sob o signo da palavra dada ser palavra honrada que Marcelo Rebelo de Sousa chegou ontem à Santa Casa da Misericórdia do Barreiro com uma garrafa de bagaço na mão. Lá dentro, no centro de dia e vestida a preceito, aguardava-o Maria da Glória Mendonça, de 89 anos, que durante a campanha eleitoral se abeirou do então candidato para lhe vaticinar a vitória logo à primeira volta. A promessa foi feita na hora e cumprida ontem.

O professor regressou à Misericórdia e preparou-se para servir dois bagaços em copos de plástico. Momentos antes a idosa queixava-se de que tinha tido tonturas nos últimos dias, levando Marcelo a deitar apenas um "cheirinho". Mas a "avó Maria" estava atenta. "Isso também é pouco", reclamou, levando Marcelo a voltar a tombar a garrafa. "Este é muito forte", denunciou Maria da Glória assim que molhou os lábios, mas, minutos depois, fez questão de esclarecer que se tratava de uma oferta pessoal do futuro Presidente: "Vai levar a garrafa?", questionou. "Não, não, é para si", clarificou Marcelo.

Perante uma mesa repleta de bolos e doces, Marcelo encaminhou o diálogo para o campo da política e aí ficou embaraçado. A idosa assumiu a admiração por Marcelo, Passos e Portas, com quem tirou fotografias, mas sublinhou, por duas vezes que não nutre simpatia por Cavaco Silva. "Desse não gosto", rematou.

Lanche tratado, era agora tempo de visitar uma sala de relaxamento para idosos da Santa Casa, que abriu ontem. Maria da Glória deu um braço a Marcelo e com o outro apoiou-se na canadiana. "Quando tiver tonturas chame um médico", aconselhou Marcelo. "Pode ser uma gravidez", ironizou Maria da Glória, piscando o olho, perante o comentário do professor: "Já temos visto muita coisa, mas isso não é provável."

Foi já com Maria Glória a caminho do descanso que Marcelo justificou que a sua presença na Santa Casa nem teve tanto que ver com o vaticínio feito pela idosa, tratando-se antes de uma "forma simbólica de dizer que as promessas são para cumprir". Garantiu que não se trata de uma crítica à classe política. "Fui assim em campanha, sou assim depois da campanha e farei tudo para ser assim enquanto Presidente", disse.

Marcelo até recordou que naquele de 19 janeiro em campanha pelo Barreiro a idosa lhe disse que depois de ganhar já não se lembraria de aparecer, mas enganou-se. "Ela foi muito divertida e convidou-me para tomar um chá. Disse-me: "O professor toma um chá eu bebo um bagaço, porque adoro." Isso ficou na minha cabeça", insistiu, admitindo que tem mais três ou quatro promessas do género para cumprir antes de tomar posse a 9 de março. E o discurso para esse dia já está pronto e o programa da cerimónia definido. "Já escrevi discurso para a tomada de posse e o dia está como devia estar. A cerimónia formal, que é o mais importante, a homenagem a dois grandes vultos que são Camões e Vasco da Gama, um encontro ecuménico para mostrar a importância da aproximação de pessoas com pensamentos muito diferentes, a condecoração do Presidente da República e receber quem vem de vários pontos do país", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

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