Marcelo associa crispação no parlamento às autárquicas

Referiu ainda que é normal a oposição criticar

O Presidente da República associou esta quinta-feira a crispação no parlamento às autárquicas deste ano e desvalorizou a crítica que lhe dirigiu o líder parlamentar do PSD, dizendo que é normal a oposição criticar.

"Faz parte da luta partidária o criticar tudo, criticar os outros partidos, criticar o Governo, criticar o Presidente. É a democracia, é assim", considerou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações junto ao Palácio de Belém, acrescentando: "Faz parte da lógica das coisas. Também, se a oposição não fizesse isso, o que fazia?".

Quanto à crispação, o chefe de Estado sustentou que "num ano eleitoral sobe um bocadinho", e salientou a importância das autárquicas para os partidos.

"Depois das autárquicas, os partidos têm os congressos e vão ter de refletir internamente e preparar-se para os grandes combates das europeias e das legislativas. Portanto, este combate das autárquicas é muito importante", sublinhou.

Em seguida, o antigo presidente do PSD lembrou que foi "candidato autárquico em três sítios" e falou especificamente sobre o seu partido.

"Do que eu me recordo como laranjinha, os laranjinhas empenhavam-se loucamente nas autárquicas. E presumo que os outros partidos também", referiu.

Confrontado com o facto de o PSD ainda não ter apresentado candidato a Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa retorquiu: "Eu acho que todos os partidos estão empenhadíssimos. Podem não dizer nada, mas estão empenhadíssimos".

Nestas declarações aos jornalistas, depois de ter acompanhado dois vendedores da revista CAIS pelas ruas de Belém, durante cerca de uma hora, Marcelo Rebelo de Sousa começou por não querer comentar a crítica que o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, lhe dirigiu, pela forma como tratou a presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso.

Segundo Luís Montenegro, o Presidente da República, o Governo e os partidos que o apoiam foram "deselegantes a todos os níveis" para com Teodora Cardoso - que qualificou de "milagre" o défice de 2016, ao que Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que "milagres só em Fátima".

Confrontado com esta crítica, o chefe de Estado reagiu: "E acha que eu vou comentar dirigentes partidários? Não vou, o Presidente nunca comenta dirigentes partidários".

Depois, acrescentou que "faz parte da luta partidária o criticar tudo, criticar os outros partidos, criticar o Governo, criticar o Presidente".

"Não tem drama nenhum, eu também já fiz isso quando fui líder da oposição. Às vezes, também critiquei o Presidente da República. Dei-me muito bem com ele, com o Presidente Jorge Sampaio, mas também houve pontos em que discordámos", referiu.

Ainda sobre o ambiente no parlamento, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que "o povo olha um bocadinho à distância e sereno para estes combates em ano eleitoral" e apontou outro fator como explicação: "É preciso ver isso, todos os parlamentos são microclimas".

"As pessoas estão ali fechadas, numa campânula, com uma linguagem diferente, com um estilo diferente, muito em cima uns dos outros. Portanto, isso aumenta a tensão", defendeu, reafirmando que "cá fora as pessoas olham com maior distância, não se irritam tanto e não se crispam assim".

No seu entender, "o país está descrispado, está distendido, está sereno".

Interrogado sobre o modelo de supervisão bancária, o Presidente da República escusou-se a fazer comentários, limitando-se a dizer que "o debate começou hoje, em rigor, e portanto vai durar as próximas semanas ou meses".

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