Maratona negocial termina com corte de 5% na captura de pescada

A Comissão Europeia tinha proposto, em outubro, um corte de 35,9%

Os ministros das Pescas da União Europeia chegaram hoje a acordo sobre os totais admissíveis de capturas (TAC) e respetivas quotas nacionais, numa maratona negocial em que Portugal viu os cortes da pescada reduzidos a 5% em 2017. Para Portugal, no total foi conseguido um aumento de 11% das quotas, o que para a ministra do Mar representa "o melhor resultado de sempre".

"Vamos ter um acréscimo no total de 11% nos valores fixados por quotas, que vai corresponder, e essa é uma excelente notícia, a quase 121 mil toneladas que poderão ser capturadas no próximo ano, o que, comparativamente com a base de dados que temos, é o melhor resultado de sempre", declarou Ana Paula Vitorino, no final de uma "maratona" negocial.

Por outro lado, apontou, os cortes propostos inicialmente pela Comissão Europeia acabaram por não se concretizar, dando como exemplo a pescada, espécie para a qual Bruxelas defendia um corte na ordem dos 34% (depois de já ter recuado da proposta inicial de 35,9%), mas que se quedou nos 5%.

Após 16 horas de negociações, que começaram na terça-feira de manhã e terminaram já na madrugada de hoje, Portugal fez valer os argumentos científicos que davam conta do bom estado dos 'stocks' de pescada em águas nacionais e, a partir de 01 de janeiro, poderão ser capturadas 2.936 toneladas desta espécie.

A quota de biqueirão sobe 18% face a 2016 (para as 6.522 toneladas), quando a Comissão Europeia tinha proposto a manutenção nas 5.542 toneladas.

As capturas de tamboril aumentam em 54%, de raias em 10%, de carapau em 7% e de lagostim em 5%.

A quota de bacalhau em águas da Noruega sobe em 16%, mantendo-se as possibilidades no Svalbard e Canadá (zona NAFO).

O atum rabilho, espécie muito apreciada nomeadamente em sushi, viu as suas quotas aumentar em 20%, para as 399 toneladas, mantendo-se as capturas de patudo nas 4.515 toneladas, de espadarte nas 1.651 (Atlântico Norte e Sul) e de voador nas 2.813 (Atlântico Norte e Sul).

A ministra sublinhou também que estes resultados foram conseguidos "à custa do aumento de quotas em espécies com bastante valor", casos do tamboril, biqueirão e do bacalhau.

A ministra referiu que as "muito boas notícias para Portugal" se devem também às "muito boas notícias para a União Europeia", porque "o estado das espécies envolvidas nestas quotas estão bastante melhores", o que possibilitou as "excelentes notícias para Portugal".

"Quer os aumentos das quotas, quer a não diminuição de quotas foram conseguidos com fundamentação científica muito apurada. Ou seja, estes valores são bons do ponto de vista socioeconómico, mas também respeitam a sustentabilidade das espécies, e portanto conseguimos trabalhar na perspetiva dos três pilares da sustentabilidade, que é o pilar ambiental, o pilar social e o pilar económico", destacou.

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