Mais de 50 entidades lutam contra o desperdício alimentar em Lisboa

Em outubro do ano passado, havia 15 entidades no terreno, segundo dados do projeto Zero Desperdício (da associação Dar e Acordar), número que já foi quase quadruplicado.

A Câmara de Lisboa avançou hoje que a rede de combate ao desperdício alimentar é constituída por 53 entidades espalhadas por toda a cidade, incluindo as 24 juntas, destacando-se as freguesias das Avenidas Novas, Lumiar, Santo António e Misericórdia.

De acordo com o relatório inicial do Plano Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar, a que a agência Lusa teve hoje acesso, existiam, neste mês de maio, cinco entidades a lutar contra o desperdício alimentar nas Avenidas Novas, enquanto no Lumiar, Santo António e Misericórdia, foram contabilizadas quatro.

O plano, aprovado no início do ano pela Câmara de Lisboa, visa contribuir para a consolidação de uma rede de cooperação entre os agentes que atuam no terreno contra a problemática.

Porém, o trabalho do Comissariado Municipal para o Combate ao Desperdício Alimentar, liderado pelo vereador centrista João Gonçalves Pereira, remonta a maio de 2014, aquando da aprovação da constituição desta equipa.

Em outubro do ano passado, havia 15 entidades no terreno, segundo dados do projeto Zero Desperdício (da associação Dar e Acordar), número que já foi quase quadruplicado.

Neste mês de maio, registaram-se três entidades a trabalhar contra o desperdício em Campolide e nos Olivais.

Já em Belém, Carnide, São Domingos de Benfica, Campo de Ourique, Estrela, Alvalade, Arroios, Beato e Parque das Nações foram observadas duas.

Nas restantes freguesias - Ajuda, Benfica, Santa Clara, Areeiro, Santa Maria Maior, São Vicente, Penha de França e Marvila - foi registada uma em cada.

Para chegar a estes números, foi feito um levantamento que, além das Juntas, abrangeu os "sítios onde há protocolos entre [estabelecimentos] doadores e instituições", como a iniciativa Zero Desperdício, e os "que trabalham com as freguesias, como é o caso da Re-food e da Comunidade Islâmica de Lisboa", explicou à Lusa o vereador dos Direitos Sociais, João Afonso.

"Não há um modelo único, mas todas estas pessoas estão disponíveis para colaborar", assinalou.

João Afonso indicou que o município vai continuar a incentivar o voluntariado, através da formação e da criação do "manual do voluntariado para o desperdício alimentar", e na garantia da "qualidade alimentar".

Para o Comissário Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar, João Gonçalves Pereira, esta é uma "onda de crescimento" que deverá ser ultrapassada "no próximo relatório intercalar, divulgado depois do verão", com "muito mais entidades a operar" na cidade.

O responsável salientou que Lisboa pode tornar-se no "primeiro município do mundo com uma [total] cobertura territorial da recolha e distribuição aos que mais necessitam".

Ainda assim, apontou que a "a refeição é um primeiro passo para a integração social" e não "para toda a vida".

Segundo o relatório, já foram feitas reuniões como as Juntas, a Secretaria de Estado da Alimentação e Inovação Agroalimentar, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), o Banco Alimentar Contra a Fome e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

O comissariado preparou ainda "conteúdos de apoio ao lançamento da linha telefónica de apoio ao combate do desperdício alimentar", lê-se.

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