Montenegro sai do Parlamento e admite disputar liderança no futuro

O antigo líder parlamentar anuncia renúncia o mandato de deputado

O ex-líder parlamentar do PSD Luís Montenegro anunciou hoje que vai deixar o parlamento a 05 de abril, 16 anos depois de ter tomado posse, e prometeu ao partido que poderá no futuro disputar a liderança.

"Conhecem a minha convicção e a minha determinação, se for preciso estar cá, eu cá estarei, para o que der e vier, sem receio de nada e sem estar por conta de ninguém, sou totalmente livre", afirmou perante o 37.º Congresso do PSD, na intervenção mais aplaudida de hoje.

"Desta vez decidi não, se algum dia entender dizer sim, já sabem que não vou pedir licença a ninguém", afirmou.

Para explicar a renúncia ao Parlamento, Montenegro deu explicações familiares: "Sinto que devo dar aos meus filhos o que nunca tiveram: o pai em casa". Ressalvou no entanto que vai continuar a comentar publicamente a atualidade política, "na rádio e na televisão".

Montenegro passou parte da sua intervenção a explicar como será a sua relação com a nova direção e liderança do partido - ele que apoiou Pedro Santana Lopes. "É tempo de nos deixarmos de guerras artificiais. Não sou, não quero e não vou ser oposição interna a Rui Rio. Eu sou e continuarei a ser oposição a Costa, Catarina e Jerónimo."

O ex-líder parlamentar do PSD aproveitou para se insurgir contra "provocações e insinuações" que o acusam de "calculismo", "falta de autenticidade" e "falta de coragem". Ora, respondeu, é "inusitado e injusto" acusar de falta de coragem quem, como ele, passou anos, nomeadamente os da troika, "dar o corpo às balas" pelo PSD e pela unidade do partido.

Numa farpa sem destinatário explicito, acrescentou: "Não foi eu que estive à espera entre desejos alternantes de ser primeiro-ministro e Presidente da República". E quanto a "selos de calculismo alguém deve ter a caderneta cheia".

"Nunca fiz opções a pensar em ser candidato", reforçou, dizendo ainda que a sua "decisão de não candidatura à liderança" foi apenas um "exercício de liberdade".

Dirigindo-se diretamente a Rui Rio, apelou: "Ponha cobro a esses juízos de intenções. Ponha a energia no combate aos nossos adversários externos. E não deixe que o PSD se transforme no grupo dos amigos do Rui Rio ou na agremiação dos interesses do Rui Rio". "Confio - prosseguiu - "que se vai afastar da intrigalhada". "Eu sei que Rui Rio é forte, eu confio em si", garantiu ainda. Dizendo também que irá "sempre ajudar o PSD" na batalha para vencer as próximas legislativas, "não tenham dúvidas". "Se for preciso estar cá, eu estarei. Mas agora esta hora é a hora do Rui Rio, a hora que ele conquistou, e todos estaremos com ele a ajudar a conquistar Portugal. Desejo-lhe toda a sorte, que faça um bom trabalho. E quero para si o que gostaria para mim se estivesse a fazer o seu trabalho".

Montenegro aproveitou para insistir na ideia que o PSD não pode ensaiar aproximações ao PS - isso "é ir atrás de um logro". "O PSD está e estará onde sempre esteve. O PCP está e estará onde sempre esteve e o BE está e estará onde sempre esteve. Mas o PS está onde nunca tinha estado, pertíssimo do PCP e do BE. Quem saiu do sítio foi o PS."

Portanto, "é um erro dizer que temos de nos recentrar porque nunca nos descentramos". "Precisa o país de um bloco central de partidos . Não, não precisa", reforçou.

O que precisava, "isso sim", era de "um bloco central de políticas - isso sim, precisava". Só que, "por mais apelos que venham de todo o lado e até os recorrente do Presidente da República", o que aconteceu é que "o PS capitulou nos braços da esquerda radical". Ou seja, "o PSD não pode capitular nos braços deste PS", porque "o PS é hoje mais bloquista do que socialista", "é mais de Louçã do que de Mário Soares": "Imaginarmos que podemos ser um apêndice deste partido socialista bloquista é um suicídio politico."

Assim, prometeu que estará "ao lado" de Rio a "combater o neo-socialismo bloquista", embora, reconheceu, seja "justo dizer" que este é um combate "particularmente difícil de vencer".

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