Luís Amado: Se Portugal fosse mais previsível, teria melhores condições

Ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do PS falou, essencialmente, de Europa, mas na última declaração acabou por ensaiar um recado ao governo de Costa

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros socialista, Luís Amado, disse esta noite que se Portugal "conseguisse, na atual circunstância, oferecer mais certeza, mais estabilidade e mais previsibilidade, seríamos certamente mais capazes de garantir melhores condições, mais investimento".

Nas jornadas parlamentares do PSD, Luís Amado evitou durante quase toda a intervenção fazer declarações que tivessem qualquer leitura nacional, mas acabou por enviar um recado de que Portugal teria melhores condições se fosse hoje mais estável.

No centro da mesa, um dos ex-governantes socialistas mais próximos da área ideológica do PSD, não fez qualquer comentário que fosse interpretado como uma crítica direta aos parceiros do PS no apoio ao governo, como fez Jaime Gama há pouco mais de uma semana na Universidade de Verão do PSD.

A "vocação atlanticista" que Amado defendeu, virada para os Estados Unidos e para o Reino Unido, não agradará a PCP e Bloco de Esquerda, mas nada mais do que isso, mesmo que tenha havido pequenas provocações de deputados do PSD na fase de perguntas ao orador.

A maior parte da intervenção incidiu mesmo na saída do Reino Unido da União Europeia. Luís Amado defendeu que Portugal não deve esquecer o seu "velho aliado" apoiando de forma assertiva o Reino Unido no processo de saída da União Europeia, já que "o Reino Unido precisa de ser ajudado e, num processo de negociação muito difícil, Portugal deve ter um papel muito ativo".

Luís Amado afirmou que os partidos portugueses não devem "deixar de se entender numa perspetiva de prazo para reposicionar o país", já que, com o Brexit, Portugal tem de "interpretar de uma forma muito construtiva o apoio necessário que o Reino Unido vai necessitar para absorver as tensões decorrentes deste processo." O antigo governante exorta Portugal a deixar uma "reação mais apaixonada" e primária de punir o Reino Unido por ter saído da União Europeia e ser aliado dos britânicos neste processo.

O ex-ministro socialista defende assim que Portugal não deve esquecer "a vocação atlântica" e "revisitar o conselho estratégico nacional, nos seus fundamentos".

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