Líder pressionado com referendo nacional

Hugo Soares faz último discurso como líder parlamentar dos sociais-democratas e deixa sugestão de proposta polémica.

Referendo à eutanásia. Esta poderá ser uma das primeiras batatas quentes que Rui Rio terá de enfrentar num grupo parlamentar que, maioritariamente, não lhe foi favorável no processo interno que o levou a líder do PSD.

A defesa da ideia foi ontem feita pelo líder parlamentar cessante, Hugo Soares. Recordando que a maior parte dos partidos não defendeu a eutanásia nos programas eleitorais com que se apresentaram nas eleições legislativas de 2015 - na verdade só o PAN o fez -, o deputado deixou a recomendação: "Temos a obrigação de ouvir o povo português e pedir um referendo nacional."

A ideia tem atualidade e terá cada vez mais, visto que o processo legislativo está a avançar no Parlamento, devendo estar concluído - com aprovação ou não - até ao verão. Dentro do PSD, sabe-se que a despenalização da morte assistida tem críticos e apoiantes - entre estes o próprio Rui Rio, além de personalidades como as deputadas Paula Teixeira da Cruz e Teresa Leal Coelho.

No seu discurso aos congressistas, Hugo Soares fez questão de desdramatizar o processo que há de levar, por vontade de Rui Rio, à sua substituição por Fernando Negrão na liderança da bancada do PSD. "Nunca nos desentendemos neste processo", afirmou. Acrescentando: "Rui Rio sabe que poderá contar com todas e com todos os deputados." Neste contexto, deixou-lhe um apelo: "Confie no partido. O partido está aqui para fazer de si o próximo primeiro-ministro de Portugal."

Soares deixou também outra ideia para o futuro líder parlamentar do partido (que irá a votos na bancada na próxima quinta-feira, 22): a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito às falhas dos poderes públicos no caso das crianças à guarda do Estado alegadamente adotadas por elementos da IURD. Foi o reiterar de uma ideia que já tinha avançado no seu último debate parlamentar quinzenal com o primeiro-ministro.

Entretanto, no curtíssimo prazo Rui Rio tem dois problemas para resolver com a bancada parlamentar: a posição do partido sobre o chamado "pacote da transparência" (medidas de moralização da ação política) e sobre a nova lei do financiamento partidário. Em relação a ambas, o novo líder do PSD tem reservas fortes.

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