Leal Coelho arrasada. Medina e Assunção legitimados

O PS venceu as eleições para a câmara da capital e estava perto da maioria absoluta. CDS reforçou poder, contra um PSD enfraquecido. PCP resistiu e BE ganhou um vereador.

A história faz-se a maior parte das vezes dos vencedores, mas no que diz respeito a Lisboa também se faz dos derrotados. A vitória do socialista Fernando Medina, perto da maioria absoluta à hora de fecho desta edição, já era esperada. Não deixa de ser importante na contabilidade das vitórias do PS nestas eleições autárquicas, até porque Medina foi o sucessor de António Costa. Pegou na autarquia há dois anos e fez dela também o seu sucesso. A renovação do rosto da cidade, com obras em quase todas as artérias principais e uma visão cosmopolita da cidade convenceram os lisboetas, que lhe deram um voto de confiança.

Lisboa é a câmara mais importante do país e, a par da do Porto, tudo o que aqui acontece tem repercussões nacionais. Daí que a história das autárquicas de 2017 na capital também se faça do resultado obtido pela candidata do CDS. Ainda sem resultados definitivos apurados, as projeções das televisões davam-lhe um resultado entre os 16% e os 21%, o melhor obtido pelo partido a correr sozinho na capital. Assunção Cristas, líder do CDS e a candidata, apareceu aos militantes que a esperavam no Largo do Caldas sorridente, muito sorridente, e em vez de falar de si própria falou para o partido. Pode fazê-lo porque sabe que o seu resultado em Lisboa é a legitimidade que lhe faltava para nunca mais a verem como um sucedâneo de Paulo Portas. "Fez-se líder hoje", foi assim que Marques Mendes na SIC viu a sua vitória.

O resultado foi ainda mais esmagador porque Assunção ficou à frente da candidata do PSD à Câmara de Lisboa, num terreno que costuma ser muito mais favorável aos sociais-democratas. A líder centrista tem agora um peso negocial muito maior no futuro caso venha a existir um novo entendimento eleitoral com o PSD.

Teresa Leal Coelho ficará como o rosto da derrota do PSD nestas eleições. A candidata social-democrata, vice-presidente do partido, foi uma segunda escolha de Pedro Passos Coelho para a capital , contra a vontade das próprias estruturas locais do partido. Ficou atrás do CDS, mas também se arriscava a ficar atrás da CDU, o que foi entendido por várias figuras do PSD como uma hecatombe para o partido e para a liderança do PSD. As ondas de choque começaram na noite eleitoral e vão prolongar-se, até porque Manuela Ferreira Leite e outros críticos do líder social-democrata já começaram a pedir a sua cabeça.

A esquerda do PS saiu desta eleição em Lisboa numa posição confortável. João Ferreira, cabeça-de--lista pela CDU, conseguiu segurar os dois mandatos da coligação - um resultado bom a comparar com as perdas no resto do país.

E se o poder autárquico do PCP na capital não foi beliscado pela dinâmica da geringonça, esta dinâmica até veio dar um novo alento ao BE. Ricardo Robles conseguiu conquistar o lugar de vereador, que o BE tinha perdido. O próprio Ricardo Robles admitiu durante a campanha eleitoral que estava à espera de tirar dividendos da parceria do seu partido com o governo socialista. Se Medina não tiver maioria absoluta já tem os seus parceiros de uma geringonça camarária.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG