Lalanda e Castro espera na Alemanha decisão sobre extradição

Ex-diretor da Octapharma, acusado de corrupção passiva no caso do plasma, pode opor-se à entrega às autoridades portuguesas

Joaquim Paulo Nogueira de Lalanda e Castro, 59 anos, o ex-diretor da Octapharma Portugal detido ontem de manhã em Heidelberg, na Alemanha, nos escritórios da farmacêutica,por suspeitas de corrupção ativa nos negócios do plasma e hemoderivados, pode ainda demorar uns dias a ser extraditado.

O ex-diretor da Octapharma foi detido na Alemanha no âmbito de um mandado de detenção europeu. A Procuradoria Geral da República (PGR) esclareceu, em comunicado, que cabe à autoridade judiciária alemã competente decidir se entrega ou não o suspeito às autoridades portuguesas. Lalanda e Castro pode opor-se à entrega. A decisão definitiva sobre a execução do mandado de detenção europeu deve ser tomada no prazo de 60 dias após a detenção. Se o detido consentir, a decisão final é tomada no prazo de 10 dias a contar da data do consentimento. Ricardo Sá Fernandes, advogado de Lalanda e Castro na operação Marquês, deve agora ficar com esta pasta também. É que o advogado que estava a representar o ex-diretor da Octapharma no processo do plasma, Paulo Farinha Alves, da sociedade PLMJ, foi constituído arguido no mesmo caso por suspeita de branqueamento de capitais, e o seu escritório foi alvo de uma busca. Farinha Alves era advogado de Lalanda e Castro desde 2 de fevereiro de 2016, pelo que não é abrangido pelos factos em investigação - que ocorreram entre 1999 e 2015, segundo nota da PGR. Paulo Farinha Alves teve poucos atos processuais no caso, e alguns foram requerimentos ao Ministério Público (MP) para que Lalanda e Castro, residente na Suíça, pudesse vir voluntariamente a Portugal prestar esclarecimentos no inquérito em curso. João Medeiros, advogado da PLMJ que representa Farinha Alves, mandou selar os documentos que a PJ apreendeu no escritório e enviou tudo para o Tribunal da Relação de Lisboa, estando agora à espera de uma decisão.

No conjunto, a operação da Polícia Judiciária O Negativo, já tem cinco arguidos. Para além dos detidos Lalanda e Castro e Luís Cunha Ribeiro, ex-presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e do INEM, estão também constituídos arguidos os advogados Paulo Farinha Alves e Luís Barros de Figueiredo, e ainda Elsa Morgado, da Associação Portuguesa de Hemofilia.

Luís Cunha Ribeiro esteve a ser ouvido em primeiro interrogatório judicial ontem mas até ao fecho da edição não eram conhecidas as medidas de coação. Cunha Ribeiro é suspeito de corrupção passiva, por ter, alegadamente, favorecido a Octapharma nos contratos ganhos pela farmacêutica.

Filho de diretora de serviço

Natural do Porto, Paulo Lalanda e Castro era filho de uma diretora de serviços de farmácia hospitalar do hospital de São João, no Porto, que segundo fontes do setor, era uma pessoa influente na área. É na Invicta que veio a estreitar laços para a vida com Luís Cunha Ribeiro, amigo de infância.

Paulo Lalanda e Castro entrou para a empresa suíça em 1988 e na década de 90 conseguiu que a Octapharma em Portugal ocupasse um lugar de destaque nos concursos de plasma fraccionado. "A repartição do mercado na Europa aqui era a Octapharma. A empresa teve um crescimento explosivo", referiu João Cordeiro, que foi presidente da Associação Nacional de Farmácias. Outra fonte do setor farmacêutico explica essa ascensão da empresa suíça com o bom relacionamento de Lalanda e Castro com médicos do hospital de São João e de Santo António, no Porto, que dominavam os concursos. O percurso do amigo Luís Cunha Ribeiro, também se consolidou na década de 90: trabalhou nos serviços de hematologia do hospital de São João e foi perito do Infarmed.

Paulo Lalanda e Castro já foi acusado por tráfico de influências no processo dos vistos gold e é arguido por fraude fiscal na operação Marquês. A investigação concluiuque as suspeitas sobre a relação entre Paulo Lalanda e Castro e Cunha Ribeiro eram conhecidas há algum tempo nos meios da Saúde.

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