Júdice: Efeito do brexit em Portugal "vai ser pior do que se tem dito"

Vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa espera o pior do brexit, o CEO da Amorim Turismo sublinha as incógnitas. Mas nem todos têm essa visão

Primeiro orador no debate entre empresários promovido pelo DN, no âmbito da conferência sobre o Futuro da Europa, José Miguel Júdice insistiu que "a economia portuguesa vai ter um choque muito maior com o Brexit e com outros desafios que cercam" o país.

O vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, José Miguel Júdice, considerou que o impacto da saída do Reino Unido da UE "vai ser seguramente pior do que se tem dito".

Reconhecendo a imprevisibilidade de prever o futuro nas atuais circunstâncias políticas, o conhecido advogado destacou que o planeamento estratégico feito pelos empresários "tem de ser flexível e não ideológico".

Ao contrário dos políticos, os erros de planeamento a longo prazo por parte dos empresários traduzem-se em perda de capital, despedimentos e insolvências, frisou José Miguel Júdice.

Jorge Armindo, CEO da Amorim Turismo e segundo orador no debate moderado por António Perez Metelo, sublinhou as incógnitas para o seu setor das consequências da saída do Reino Unido da UE.

"Costuma-se dizer-se que um pessimista é um otimista bem informado. Mas neste momento não há informação", explicou. Seja como for, há, na visão gestor, uma certeza: "O turismo cresce todos os anos, com crise ou sem crise." E o que se exige ao setor "é grande capacidade de inovação e portanto criatividade".

Miguel Pina Martins, CEO da Science4You, considerou que o Brexit "em termos empresariais é indiferente". Orador no debate entre empresários sobre o futuro das exportações no novo enquadramento europeu, a decorrer no âmbito da conferência do DN sobre a Europa, Miguel Pina Martins assinalou que o Reino Unido "nunca esteve" com os dois pés dentro da UE.

O CEO da Science4You adiantou que a concretização do Brexit aijda demorará pelo menos dois anos e que as empresas terão tempo de se adaptar às incertezas e desconhecimento inerentes ao resultado do referendo.

O CEO da Uniplaces, Miguel Santo Amaro, também defendeu que o resultado do referendo britânico "vai ser mau para todos" e em particular para uma Europa onde o crescimento económico é quase nulo.

"É perigoso ficar tudo na mesma na Europa", argumentou Miguel Santo Amaro, alertando para a importância das eleições de 2017 na Alemanha e em França.

O moderador, António Perez Metelo, lembrou a realização do referendo constitucional em Itália marcado também para 2017, uma vez que o resultado pode vir a ser condicionado pelas "razões táticas" dos eleitores em castigarem o governo em funções.

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