João Oliveira: "Não fizemos nossa a política do PS"

Líder parlamentar comunista insiste que "esta não é a solução política do PCP". E ouviu-se a primeira vaia no Congresso, quando falou de... Cavaco Silva

Ao segundo dia do XX Congresso do PCP, o líder parlamentar comunista, João Oliveira, reafirmou na sua intervenção, hoje de manhã, que o PCP "não está comprometido" com o Governo socialista. "Não fizemos nossa a política do PS. Nem desistimos do nosso programa", atirou João Oliveira. "O PCP não se diluiu", disse.

Num discurso sobre a atual situação política, o líder da bancada comunista voltou a apresentar a linha que o partido quer passar sobre a sua relação com o PS, que o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, já tinha definido no primeiro dia. Trata-se, disse João Oliveira, de "um governo minoritário do PS", que está aplicar "o seu próprio programa".

Os socialistas continuam a "não romper com a política de direita", nem a "rejeitar as imposições externas", pelo que "esta não é a solução política do PCP", uma vez que continua "condicionada pela atual relação de forças" no Parlamento.

Os comunistas definem como objetivo evitar o regresso da "política de direita". "Não é apenas evitar que PSD e CDS governem, mas evitar que a sua política seja desenvolvida seja pela mão do PSD e do CDS, seja pela mão do próprio PS", defendeu João Oliveira, aplaudido no final de pé.

O PCP, disse, foi o responsável pelo "afastamento de PSD e CDS" que "preparavam-se para se manter no governo, apoiados pelo antigo Presidente da República, Cavaco Silva". E pela primeira vez ouviu-se uma forte vaia no Congresso.

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