Este ano não há Serenata Monumental em Coimbra

Secção de Fado alega que não recebeu financiamento nos últimos dois anos e que, por isso, o momento alto da Queima das Fitas não vai acontecer

A Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (AAC), responsável pela Serenata Monumental, recusa participar na Queima das Fitas por ausência de financiamento nos últimos dois anos, disse à agência Lusa o vice-presidente da secção, Emanuel Nogueira.

"Além da falta de distribuição de verbas, a Queima das Fitas tem tido um mau tratamento para connosco. Temos péssimas condições de 'backstage' e atuamos muito tarde, com tempo reduzido, acabando por nos cortar o som. Já havia um descontentamento geral há muitos anos e, agora, com o atraso nas verbas, tivemos que tomar uma decisão mais firme", contou.

Por agora, a Secção de Fado fica de fora da Queima das Fitas, mas se houver atribuição de verbas e se forem asseguradas condições aos grupos daquela estrutura da AAC, a decisão pode ser anulada, explanou.

"A Secção de Fado teve um papel importante no regresso da Queima das Fitas e esta é uma atitude de desespero", sublinhou Emanuel Nogueira, referindo que a secção tem sentido muitas dificuldades em manter as portas abertas.

A Secção de Fado, composta por quatro grupos de fado, Estudantina Universitária, Orxestra Pitagórica, Estudantina Feminina, Grupo de Cordas e Orquestra Típica e Rancho, é a estrutura que organiza a Serenata Monumental, um dos pontos mais altos da Queima, participando também no Sarau Académico e no Chá Dançante, para além de atuar nas noites de concertos na Praça da Canção.

Para Emanuel Nogueira, se a Secção de Fado não participar, não haverá quase de certeza Serenata Monumental, porque desconfia que "alguma entidade ligada ao Fado de Coimbra queira fazer a serenata, até porque grande parte dos músicos passou pela secção e, decerto, compreendem e acarinham a nossa causa".

Desde 2016 que nenhuma secção cultural ou desportiva recebe apoio a partir do lucro da Queima das Fitas (fonte principal de financiamento das secções da AAC), por haver um diferendo nos relatórios das festas de 2016 e 2017, que continua sem aprovação por parte do Conselho Fiscal.

"Há dificuldades na aprovação dos relatórios porque os documentos não batem certo e há muitos valores que não se entendem ou que não estão justificados", referiu o vice-presidente da secção.

Contactado pela Lusa, o presidente da direção-geral da AAC, Alexandre Amado frisou que está "por cima do assunto" e que estão a ser encetados "esforços para se resolver rapidamente".

"Percebo a frustração da Secção de Fado, a quem não foram distribuídas verbas porque os relatórios estão a ser analisados pelo Conselho Fiscal, para que os valores relatados [pela Comissão Organizadora da Queima das Fitas] correspondam aos reais", vincou.

A direção-geral, assegura, "está a fazer o que pode para acelerar o processo" e garantir uma resolução "antes da Queima".

Sobre a possibilidade de uma auditoria externa, Alexandre Amado afirmou que só após o assunto ser analisado pelo Conselho Fiscal é que se poderão "retirar conclusões" sobre esta questão e avançar com outro tipo de medidas.

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