Alqueva "supera" expectativas pela "tão valorizada" reserva estratégica de água

Os novos quase 50.000 hectares de regadio vão ser distribuídos por 13 novos blocos de rega

O presidente da empresa gestora do Alqueva fez hoje um balanço "extremamente positivo" do projeto, que "superou" as expectativas, sobretudo pelo impacto na agricultura e pela "tão valorizada" função de reserva de água para enfrentar períodos de seca.

"Faço um balanço extremamente positivo do projeto Alqueva", que "superou todas as melhores expectativas, desde logo pelo impacto na agricultura de regadio" na área beneficiada, disse à agência Lusa o presidente da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), José Pedro Salema.

"Depois pela confirmação da sua principal função" de "reserva estratégica de água", a qual, "nunca como agora foi tão valorizada", afirmou, frisando que são nos "períodos longos de seca", como o que Portugal atravessa, "que Alqueva mostra a sua principal virtude".

Segundo o responsável, no empreendimento já foram investidos cerca de 2.400 milhões de euros nas infraestruturas das valências agrícola, energética e de abastecimento público de água previstas no projeto inicial e que ficou concluído em finais de 2016, "nove anos mais cedo" do que o previsto (2025), disse.

Na valência agrícola, a EDIA acabou em 2016 a construção das infraestruturas necessárias para regar 120.000 hectares, mais 10.000 do que inicialmente previsto, e que estão em exploração.

A taxa de adesão dos agricultores ao regadio do Alqueva, que rondou os 76% em 2017, "é o dado mais surpreendente de todos", disse, frisando que em Portugal, "tradicionalmente, um perímetro de rega público atinge uma taxa de adesão igual ou superior a 80% ao fim de cerca de 20 anos".

Atualmente, a EDIA tem quase 4.000 agricultores clientes que usam a água do Alqueva, dos quais 170 são estrangeiros e exploram cerca de 35.000 hectares na área beneficiada e, destes, cerca de 100 são provenientes de Espanha.

O olival continua a ser a cultura predominante, com mais de 44.000 hectares, seguindo-se o amendoal, que começa a ganhar espaço e, atualmente, ocupa cerca de 8.000 hectares.

Na valência de abastecimento público de água, a EDIA concluiu, em 2010, as ligações entre a albufeira "mãe" de Alqueva e as quatro albufeiras abrangidas pelo projeto inicial para reforçar, sempre que necessário, o abastecimento de 13 concelhos do Alentejo com mais de 200.000 habitantes, incluindo os de Beja e Évora.

Na valência energética, além de ter construído as centrais de Alqueva e do Pedrógão, que começaram a funcionar em 2004 e 2006, respetivamente, e foram concessionadas à EDP, a EDIA terminou em 2011 a instalação das cinco centrais mini-hídricas do projeto inicial.

A empresa também aposta noutras fontes de energia renovável e instalou pequenas centrais solares fotovoltaicas junto à barragem do Alqueva e em duas estações elevatórias e um 1.º conjunto de painéis solares fotovoltaicos flutuantes para produzir energia para abastecer as operações do reservatório de água da Cegonha.

Agora, frisou José Pedro Salema, perspetivam-se "duas novas fases na vida" do Alqueva: o aumento da área de regadio em mais quase 50.000 hectares e o desafio da sustentabilidade da operação das infraestruturas de distribuição de água, que inclui a produção de energia fotovoltaica suficiente para alimentar as necessidades de bombagem.

Segundo José Pedro Salema, a EDIA vai desenvolver o projeto de expansão do empreendimento para aumentar a área abrangida pelo regadio do Alqueva dos atuais 120.000 para 170.000 hectares, num investimento de 235 milhões de euros, que deverá terminar em 2022.

Os novos quase 50.000 hectares de regadio vão ser distribuídos por 13 novos blocos de rega, sendo sete no distrito de Beja, cinco no de Évora e um no de Setúbal.

A expansão do regadio terá impactos diretos e "no ano de cruzeiro" poderá gerar mais 2.630 postos de trabalho e aumentos de 119 milhões de euros no valor bruto e de 89 milhões de euros no valor acrescentado bruto da produção anual do setor agrícola na região.

O projeto de expansão prevê também novas ligações e reforço de ligações existentes para levar água do Alqueva a sistemas de abastecimento geridos pelo Grupo Águas de Portugal, nomeadamente albufeiras e estações de tratamento de água, o que irá permitir servir ainda mais 50 mil habitantes.

Das obras previstas, destacam-se as ligações à albufeira do Monte da Rocha, que abastece os concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Ourique e parte dos de Odemira e Mértola, no distrito de Beja, e à albufeira de Morgavel, que fornece a Zona Logística e Industrial de Sines, no distrito de Setúbal.

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