Santana Lopes está a ponderar "seriamente". Rangel não vai a jogo

O provedor da Santa Casa da Misericórdia está a receber muitos incentivos para avançar. Rangel desistiu e surpreendeu os passistas

"Está a ponderar seriamente", garante uma fonte próxima de Pedro Santana Lopes. O ex-primeiro-ministro e ex-líder do PSD está a receber mensagens e chamadas de figuras de primeira linha do partido, entre os quais ex-ministros, presidentes de câmara e de muitos militantes de base, que o incentivam a avançar com uma candidatura à liderança do partido.

Sem Luís Montenegro e Paulo Rangel - que ontem em comunicado fez também saber que não será candidato - na corrida, o atual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa caso decida avançar poderia congregar os que estiveram sempre ao lado de Pedro Passos Coelho e os que não se reveem em Rui Rio, que irá apresentar a sua candidatura na próxima semana. A Antena 1 avançava ontem que irá ocorrer na quarta-feira, em Coimbra, mas o DN não obteve confirmação de que assim seja.

E apesar de Santana ter dado ontem fortes sinais de que está mesmo a levar a sério a possibilidade de entrar na disputa pela sucessão de Passos Coelho - na sua coluna de opinião no Correio da Manhã, em que diz estar a elaborar um programa - há ainda muitos no partido que duvidam de que troque a Provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa por este desafio.

É mesmo a Santa Casa que está a fazê-lo balançar, tanto quanto o DN apurou. "Ele está a fazer um excelente trabalho e tem uma série de projetos importantes a andar e isso, claro que o faz pensar", assegurou a mesma fonte. Ele próprio na sua página do Facebook assinalou no dia 5 de outubro que passou a ser "o provedor com mais tempo no exercício deste cargo desde o 25 de Abril".

Acrescentar valor

Foi também na sua página que partilhou o artigo de ontem no CM intitulado "Acrescentar valor" e no qual se inclui entre os que acrescentam ao partido, que lançou vários recados e anunciou um programa. "As bases sociais-democratas são tão bem-intencionadas que muitas vezes nem se dão conta das jogadas que em seu nome e com o seu voto são feitas para as lapas se segurarem." E acrescenta: "Os partidos não se constroem com lapas e o PSD tem um número considerável dessa espécie. As lapas agarram-se quando lhes interessa e onde julgam que se podem segurar." Santana defende que "o PPD/PSD" tem de escolher é a melhor solução, a melhor liderança, a melhor equipa para construir um projeto próprio nesta fase do século XXI. Quer um partido que deixe claro o que pensa sobre o Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social, do terceiro setor (instituições de solidariedade social), do sistema fiscal , etc. "Nesta fase, os programas são muito importantes, por mim, é disso que estou a cuidar nestes dias", diz Santana.

Até se define: "Sou mais de ação, sou mais agir e, desculpem a presunção, mas nas três casas que dirigi com algum tempo até hoje têm querido que eu regresse ou que eu continue: falo da Figueira, de Lisboa e da Santa Casa."

O diário espanhol ABC publicou um artigo no dia 5 de outubro, mesmo antes de se saber da desistência de Montenegro, em que dava nota da ponderação de Santana sobre a candidatura.

Desistência de Rangel

Quem deixou todos surpreendidos, mesmo os que lhe são mais próximos, foi Paulo Rangel. O eurodeputado já tinha garantido o apoio de uma larga franja de passistas para avançar quando ontem, através de comunicado (tal como Luís Montenegro tinha feito), disse não ir a jogo. Invocou razões de "ordem familiar" para não ter seguido "o impulso da surpreendente dimensão que foram assumindo os apelos e os apoios".

E também, tal como Montenegro, não irá apoiar nenhum dos candidatos que se apresentem às diretas, cuja data será marcada no conselho nacional de segunda-feira. "Manterei naturalmente uma neutralidade relativamente a essas eventuais candidaturas."

Nos meios passistas há agora um nome de reserva, o de Miguel Pinto Luz, ex-presidente da distrital de Lisboa do PSD, caso o próprio Santana Lopes acabe por entender que ainda quer cumprir o seu mandato na Santa Casa.

Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara de Cascais e muito próximo do coordenador autárquico do PSD, Carlos Carreiras, está assim na linha da frente porque os setores mais próximos de Passos Coelho não querem sentir-se órfãos no dia em que tiverem de votar numa nova liderança.

Mas "se tudo correr mal e ninguém avançar, Rui Rio poderá mesmo ir sozinho às diretas", admite um social-democrata próximo de Passos. A antiga ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, em tempos falada como potencial sucessora de Passos, não é uma das hipóteses.

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