Rui Moreira alcança a desejada maioria absoluta

Apesar do triunfo categórico, o independente reeleito aproveitou para disparar na direção do PSD, em especial de Rui Rio e Paulo Rangel, os "grandes derrotados" das eleições

Foi uma vitória categórica de Rui Moreira no concelho do Porto, com a desejada maioria absoluta a ser obtida. Nada disto levou o atual presidente da câmara a um discurso de triunfo só pela positiva. É certo que elogiou a sua equipa, os seus apoiantes e os eleitores. Mas foi na direção do PSD que direcionou fogo: acusou Rui Rio, Paulo Rangel e António Tavares de "serem os grandes derrotados" e terem usado o Porto como laboratório para as eleições internas do PSD. Nem o facto de ter conquistado a maioria absoluta, de ter vencido cinco das sete juntas de freguesia, o levou a afrouxar o discurso crítico dos oponentes: o PS também foi visado por "tentar nacionalizar" as eleições no Porto com a presença maciça de ministros na campanha.

Em relação a resultados, o movimento de Rui Moreira, o Porto É o Nosso Partido, obteve uma vitória muito importante, aumentando o número de votos em relação a 2013 e recebendo a confiança dos portuenses para continuar a governar a cidade: "Temos uma equipa fantástica que irá governar o Porto sem deixar de ouvir todos os portuenses", disse Moreira, que acabou o seu discurso com uma citação de Francisco Sá Carneiro.

Manuel Pizarro conseguiu melhorar o resultado obtido em 2013, mas foi insuficiente. As circunstâncias em que foi forçado a avançar para a disputa eleitoral não foram esquecidas. Na intervenção sobre os resultados, o socialista frisou que travou a batalha "em condições terríveis", em alusão à quebra do acordo com Rui Moreira, em maio. Mesmo assim, salientou a subida de votos e a manutenção da Junta de Freguesia de Campanhã, a única nas mãos dos socialistas. Pizarro fez ainda questão de "notar que do lado do vencedor continua a mesma acrimónia e crispação que marcou o percurso eleitoral", tendo em mente "os ataques mais violentos" que Rui Moreira fez ao governo.

Da parte da coligação Porto Autêntico, a derrota era esperada. Os números é que podem ser ainda mais pesados. O PSD, aqui aliado ao PPM, teve o pior resultado de sempre na cidade, com Álvaro Almeida a ser o único elemento da lista eleito vereador. Na hora da derrota, o professor de Economia teve um discurso digno, garantindo que irá assumir o seu lugar como vereador, e justificando o mau resultado com o voto útil: "Houve um desvio de votos do eleitorado tradicional do PSD para a candidatura de Rui Moreira, em parte motivada pela preocupação do voto útil, para que o PS não ganhasse as eleições, e o PSD foi penalizado." Para atenuar a situação, o PSD conseguiu manter a presidência da Junta de Freguesia de Paranhos, a única que tinha no Porto.

Para a CDU, a noite foi de angústia para saber se chegava à eleição de um vereador o que veio a confirmar-se apesar do partido ter perdido muitos votos.

O BE voltou a falhar no Porto. Teve um grande aumento de votos, mais do que duplicou em relação a 2013, em que teve resultado desastroso, mas não foi suficiente para eleger João Teixeira Lopes para a vereação da câmara.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Os irados e o PAN

A TVI fez uma reportagem sobre um grupo de nome IRA, Intervenção e Resgate Animal. Retirados alguns erros na peça, como, por exemplo, tomar por sério um vídeo claramente satírico, mostra-se que estamos perante uma organização de justiceiros. Basta, aliás, ir à página deste grupo - que tem 136 000 seguidores - no Facebook para ter a confirmação inequívoca de que é um grupo de gente que despreza a lei e as instituições democráticas e que decidiu fazer aquilo que acha que é justiça pelas suas próprias mãos.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Falta (transparência) de financiamento na ciência

No início de 2018 foi apresentado em Portugal um relatório da OCDE sobre Ensino Superior e a Ciência. No diagnóstico feito à situação portuguesa conclui-se que é imperativa a necessidade de reformar e reorganizar a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), de aumentar a sua capacidade de gestão estratégica e de afastar o risco de captura de financiamento por áreas ou grupos. Quase um ano depois, relativamente a estas medidas que se impunham, o governo nada fez.