Quando ir da Praça da Figueira a Belém é um "inferno"

Ricardo Robles, do BE, andou de elétrico. Assunção Cristas, do CDS, quis mostrar a degradação de Marvila. E Joana Amaral Dias apelou ao voto.

Trinta e cinco minutos de espera, uma hora para fazer o percurso da Praça da Figueira a Belém, um calor insuportável num elétrico sem ar condicionado. Ricardo Robles, candidato do BE a Lisboa, agendou para a tarde de ontem uma viagem no 28E até Belém para falar das dificuldades nos acessos àquela zona de cidade. Não precisou de se alongar muito, tal foi a ajuda da Carris ao discurso dos bloquistas. Saído do elétrico, depois de uma viagem que foi "um inferno", Robles puxou de duas exigências em matéria de transportes: "Percebe-se que a Carris precisa de um investimento fortíssimo, neste momento afasta passageiros. O prolongamento da rede de metro para a zona ocidental é prioritário"

Voltando ao início da viagem, na Praça da Figueira. Primeiro, passou um 28E, mas autocarro. Depois passaram uns quantos elétricos, mas nenhum com destino a Belém - e dois com a indicação de estarem reservados para "tours privados". Mais de meia hora depois, a comitiva seguiu viagem e não tardou muito até que os folhetos de campanha ganhassem novo uso como leques. "São 100 mil pessoas que precisam de transportes públicos", insistiu o candidato bloquista à chegada. Além de dito, ficou escrito, num mural a que Robles foi dar os últimos retoques: "Em Belém tem de haver metro".

Assunção Cristas promete disponibilizar em dois meses as "1600 casas" de habitação municipal que estima estarem fechadas em Lisboa. A líder do CDS e candidata à autarquia esteve ontem no bairro do Condado, em Marvila, onde visitou dois prédios marcados pela degradação. Diz que este é um cenário que tem encontrado muitas vezes: "Já cheguei a entrar em casas que precisam de uma pequena reabilitação. Quando lá voltei, 15 dias depois, estavam emparedadas com chapas metálicas".

Isabel Rodrigues, moradora num dos edifícios, diz que ali existem "três ou quatro casas fechadas por prédio". Na sua moram sete pessoas. Queixa-se que não tem eletricidade em algumas divisões, que "há fichas elétricas que não funcionam por causa do escorrer da água". Um depoimento que serviu para Cristas questionar as prioridades de Fernando Medina: "Não se compreendem obras de cosmética quando não há sequer o mínimo de manutenção para garantir a segurança de bens e pessoas". A candidata também exigiu transparência, defendendo que se há uma reserva de habitação para realojamento em situações de catástrofe, então a câmara deve dizer quantas são e onde estão essas casas. Colada em cartazes nas paredes do bairro ficou a promessa: "Nem uma só casa fechada em Lisboa"

Joana Amaral Dias desceu ontem a Rua Morais Soares para apelar ao voto no "Nós Cidadãos". Em campanha na Penha de França ouviu sobretudo queixas sobre o estacionamento, de comerciantes e residentes. "Às vezes ando aqui uma hora às voltas para estacionar", diz um habitante da freguesia. Atrás, já um comerciante se tinha queixado do mesmo, antes de questionar a candidata: "Então e se eu votar em si o que é que vai fazer?". "Vou lá chateá-los na câmara e não largo o osso", foi a resposta pronta da candidata. A candidata do "Nós Cidadãos" foi apelando a que o voto não seja sempre nos mesmos.

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