PSD e CDS questionam riscos de missão militar em África

Oposição apoia força militar lusa na República Centro-Africana mas diz que riscos são maiores do que os admitidos pelo governo. Contingente português parte terça-feira

Sete meses depois de estar pronta, a força conjunta do Exército e da Força Aérea parte na terça--feira de madrugada para cumprir, sob a bandeira das Nações Unidas, uma missão de um ano na República Centro-Africana (RCA).

A presença nessa missão humanitária de paz foi aprovada em março passado e a partida da Força Nacional Destacada (FND) de 160 efetivos esteve prevista para julho passado, tendo o Presidente da República participado em maio numa cerimónia com o contingente na Amadora.

Mas a oposição questiona agora as informações dadas ao Parlamento pelo ministro da Defesa, Azeredo Lopes, sobre o verdadeiro grau de ameaças que a FND vai enfrentar na RCA. Os deputados Pedro Roque (PSD) e João Rebelo (CDS) disseram ao DN que o governante tem de explicar por que disse então que o risco era baixo e agora é considerado como alto.

Por isso, vão aproveitar a audição parlamentar de quarta-feira do ministro - à porta fechada, quando se analisam as missões militares no estrangeiro - para lhe exigir explicações sobre o que mudou e se as informações dadas inicialmente se basearam na análise feita pelo Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) ou partiram da Divisão de Informações do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).

À margem das questões político-partidárias, a FND de 156 militares do Exército - sendo 90 dos Comandos - e quatro da Força Aérea está a ser projetada para a RCA num gigantesco Antonov, uma aeronave de carga civil fretada pela ONU cujo reabastecimento antes do primeiro voo de sustentação (7 de janeiro) levou seis horas a concluir. Daí que essa operação tenha passado a ser feita numa das áreas existentes para o efeito no aeroporto de Lisboa, sendo depois o avião rebocado para o extremo da pista onde se procede ao embarque do material e dos soldados.

Nesta noite realiza-se o quinto voo de sustentação da força para Bangui, com o envio de mais viaturas, contentores e alguns militares afetos ao apoio logístico da FND que vai servir a ONU durante um ano. "Não há missões sem riscos", lembrou Marcelo Rebelo de Sousa na referida cerimónia realizada em maio, depois de destacar a sua importância: "O que se passa no Centro de África e no Norte de África determina migrações económicas, sociais, refugiados, toda a geopolítica do continente europeu."

A chamada missão multinacional integrada de estabilização das Nações Unidas para a RCA (MINUSCA, sigla em inglês) iniciou-se a 15 de setembro de 2014 e integra quase 13 mil militares, polícias e especialistas de meia centena de países às ordens do tenente-general senegalês Balla Keita (com cursos feitos em França, Alemanha e EUA). Portugal, no fim do ano passado, participava apenas com um elemento da PSP nessa operação de manutenção da paz.

Segundo os registos oficiais da ONU, em 2015 morreram 17 capacetes-azuis - dois em "acidente", quatro devido a "doença", dez vítimas de "ato malicioso" e um por "outra" causa. No ano passado, o total de vítimas baixou para seis, das quais só uma por "ato malicioso" (duas por acidente e três por doença).

Esta FND, a quem o comandante supremo das Forças Armadas entregou o estandarte nacional numa cerimónia realizada a 21 de dezembro, vai atuar como força de reação rápida do general Balla Keita em qualquer ponto da RCA. O país está dividido em três setores, sob o comando de Marrocos (com 759 militares na MINUSCA em dezembro), do Paquistão (1103 soldados) e do Bangladesh (1044) - a que se junta o da capital, onde está o quartel-general.

"Cada um desses setores tem uma força de reação rápida" própria, de menor dimensão, "pelo que se formos chamados é porque no local já não conseguem" resolver a situação, explicou ao DN o seu comandante, tenente-coronel comando Musa Paulino, recém-promovido ao posto após quase oito anos como major.

Sobre o equipamento e armamento que os efetivos desta FND têm e algum do qual - como as espingardas automáticas G3 - já é antigo, Musa Paulino assegura: "Vamos confiantes e satisfeitos. A G3 não tem mira laser mas cumpre os requisitos, levamos outras armas [MG4, MP5] e, ao nível do equipamento de proteção, temos o que há de melhor em coletes balísticos, capacetes, botas..."

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