Professores protestam no 5 de Outubro. Marcelo deixa recados para todos

"Marcelo amigo, queremos falar contigo!", gritaram dezenas de docentes. O PR já tinha saído da Praça do Município

No momento em que Marcelo Rebelo de Sousa saía para o seu carro, depois de dada por encerrada a cerimónia do 5 de Outubro, na Praça do Município, em Lisboa, no lado oposto da praça um grupo de algumas dezenas de professores (com cartazes e vestidos de branco), irrompeu a uma só voz a gritar "justiça", "respeito" e "somos mais de 100", numa palavra de ordem dirigida ao primeiro-ministro, António Costa - que, esse sim, estava presente para ouvir as palavras. De nada serviu uma outra palavra de ordem: "Marcelo amigo, queremos falar contigo!". O Presidente já não ouviu.

Num discurso carregado de mensagens, para os diferentes setores da sociedade, o Presidente da República defendeu que tudo deve ser feito "para que as portuguesas e os portugueses saibam que as suas vidas e bens estarão mais seguros, que a sua inocência ou culpabilidade não será um novelo interminável, que a crise financeira e económica não regressa mais".

E, logo a seguir, Marcelo Rebelo de Sousa não esqueceu os professores, dizendo que hoje é um "dia especial para professores" (celebra-se hoje o dia mundial do professor), para sublinhar que a educação, a saúde e a segurança social, não devem cavar "fossos inaceitáveis".

Para o Presidente da República, "os cidadãos dispõem de vários caminhos de escolha - sabendo que a existência de alternativa quanto à governação é sempre preferível às ambiguidades diluidoras, e que só reforçam os radicalismos antissistémicos -, mas que os seus responsáveis políticos e sociais têm a grandeza de alma para fazer convergências no verdadeiramente essencial mantendo as frontais e salutares divergências naquilo que o não é".

Depois do elogio à participação nas eleições autárquicas de 1 de outubro, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que a democracia política, que se celebra neste dia, deve apontar ao "reforço da credibilidade das instituições locais, regionais e nacionais", referindo-se sobretudo às "funções de soberania", na justiça, segurança interna e defesa.

"Uma Justiça que veja o seu estatuto devidamente prestigiado e se revele capaz de resolver os litígios em horizonte comparável ao dos nossos parceiros europeus", começou por dizer o Presidente da República, acrescentando: "Uma segurança interna que seja encarada como penhor de tranquilidade e previsibilidade por parte dos cidadãos no exercício dos seus direitos, sempre e, em particular, em momentos mais críticos." E umas "Forças Armadas que continuem a merecer o unânime reconhecimento nas suas missões internacionais e, em simultâneo, sejam sentidas como nossas, cá dentro, isto é, como elemento essencial que são da nossa identidade desde que Portugal é Portugal. Unidas, cientes dos seus pergaminhos e do valor das condições indispensáveis ao cumprimento do seu desígnio coletivo".

Para Marcelo, a democracia deve ser vivida com "protagonistas capazes de olhar para o médio e o longo prazo, ultrapassando o mero apelo dos sucessivos atos eleitorais", notando que é "certo que não há sucessos eternos nem revezes definitivos".

Por sua vez, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, defendeu que o processo de descentralização dever ser concluído, "com sentido de urgência e até ao final deste ano", pela Assembleia da República.

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