Primeira-dama. Uma cortesia com fim à vista

Maioria dos candidatos quer acabar com o gabinete da mulher/marido do presidente. A figura só se manterá se Edgar ganhar

Tradição sem sentido; cortesia republicana; papel do regime monárquico; O título de primeira-dama, assim como o gabinete a que têm direito, poderão desaparecer após as eleições do próximo dia 24. Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa, Marisa Matias e Maria de Belém não estão interessados em manter tais reverências. Mas se o vencedor for o candidato apoiado pelo PCP, Edgar Silva, a tradição manter-se-á sem alterações. O sua mulher, uma psicóloga nascida no Brasil , assumirá as "responsabilidades decorrentes" da sua eleição, como o próprio afirmou ao DN.

A Constituição não confere qualquer estatuto à mulher do Presidente, embora esta receba com naturalidade a deferência de primeira-dama. Oficialmente não lhe é concedida qualquer função, não tem remuneração, embora desde 1996 tenha passado a ter direito a um gabinete na Casa Civil, com dois adjuntos e um secretário que integram o pessoal da Casa Civil. O gabinete não tem orçamento próprio, integrando as despesas da representação da República (em 2015 as despesas foram de 4,8 milhões de euros.

Para a candidata apoiada pelo Bloco, Marisa Matias, casada, "não faz sentido a existência de um gabinete para a primeira-dama ou para o primeiro cavalheiro". Uma opinião semelhante tem Maria de Belém Roseira (casada com um engenheiro químico) que já disse que se for eleita não "faz sentido manter esse gabinete".

As mulheres de Marcelo Rebelo de Sousa (divorciado, vive há muitos anos com uma professora de Direito) e de Sampaio da Nóvoa (é casado desde os 19 anos) não estão disponíveis para exercer o papel.

Edgar Silva: Uma responsabilidade para assumir em caso de eleição

Para o candidato apoiado pelos comunistas, o título de primeira-dama é para ser honrado. "Sendo casado, a minha mulher não deixará de assumir as responsabilidades decorrentes do facto de eu ser eleito Presidente da República."

Marisa Matias: Tempo de acabar com um papel do regime monárquico

Marisa Matias considera que, "mais de 40 anos após o 25 de Abril e mais de 100 após a Instauração da República", "já é tempo de pormos termo a um papel que combina mais com um regime monárquico do que com a natureza republicana do nosso Estado". A candidata sublinha que, apesar de "todo o respeito pelas pessoas que ocuparam o lugar", acredita "não fazer sentido a existência deste gabinete".

Sampaio da Nóvoa: Combate às desigualdades e violência de género

Para o ex-reitor, a manutenção da figura de primeira-dama colide com alguns dos princípios que defende. "Esta é a única Candidatura que apresentou uma Carta de Compromisso para o Combate às Desigualdades e Violência de Género. Nesta Carta, a Candidatura afirma o caráter unipessoal do cargo, que não deve passar pela manutenção da tradicional figura de primeira-dama ou primeiro-cavalheiro, fazendo-o de forma positiva, como afirmação da igualdade entre homens e mulheres.

Maria de Belém: Desviar a verba do gabinete para questões dos deficientes

A ex-presidente do PS diz não ver "nenhuma necessidade" de manter o gabinete. "O candidato - neste caso a candidata - é o candidato, não o seu cônjuge. O meu marido continuará a fazer a vida dele e só me acompanhará se houver necessidades protocolares. Se houver um orçamento afeto a um gabinete desses - não sei se há - preferia que essa verba fosse afetada para o funcionamento de um Conselho para refletir sobre as questões dos deficientes."

Marcelo Rebelo de Sousa: Um cargo que a Constituição não contempla

"Já disse que a Constituição não prevê tal cargo", afirmou o candidato presidencial. Ou seja: um modelo ao estilo norte-americano está fora de hipótese e, provavelmente, caso seja eleito, Marcelo não promoverá que a sua companheira assuma essas funções.

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