PGR abre inquérito ao secretário-geral do PSD Feliciano Barreiras Duarte

Em causa está o alegado uso indevido do estatuto de investigador visitante na universidade de Berkeley, na Califórnia, EUA

A Procuradoria-Geral da República vai abrir inquérito ao secretário-geral do PSD, Feliciano Barreiras Duarte, que terá acrescentado informação falsa ao seu currículo.

"Na sequência de notícias vindas a público, a Procuradoria-Geral da República procedeu à recolha de elementos. Esses elementos foram encaminhados para o DIAP de Lisboa com vista a inquérito", esclareceu a Procuradoria.

O inquérito surge na sequência de notícias que alegavam que Feliciano Barreiras Duarte teria usado de forma indevida no seu currículo o estatuto de investigador visitante da universidade norte-americana de Berkeley, na Califórnia.

O ex-secretário de Estado do executivo de Pedro Passos Coelho sublinhou nunca ter precisado da universidade de Berkeley para o seu percurso académico, insistindo que a notícia visa prejudicar a direção de Rui Rio.

"Esta semana realizaram-se almoços entre algumas pessoas que não gostam da atual liderança. Criaram-se factos. E o corolário foi aquilo que o jornal (Sol) publicou", acusou.

O secretário- geral diz que sabe quem são esses que "deixaram o seu rasto", enviando a notícia para determinadas pessoas e locais. Sublinha que tem provas de todo o processo, desde o convite por parte da professora Deolinda Adão, a mesma que negou ao semanário Sol ter assinado o documento (publicado) em que supostamente se atestava a inscrição do então deputado do PSD naquela instituição. O primeiro convite terá surgido por Manuel Pinto de Abreu, antes das conversas (e até um almoço no clube Naval) com a professora, algumas em inglês, por insistência desta.

Além de secretário de Estado, Feliciano Barreiras Duarte foi várias vezes deputado eleito por Leiria, chefe de gabinete de Passos Coelho, presidente da Assembleia Municipal do Bombarral e de Óbidos e continua a ser vice-presidente da concelhia do Bombarral.

"Já me tinham dito que podiam começar a surgir coisas como esta"

No passado fim de semana, o secretário-geral do PSD afirmou ao DN que rejeitava "veementemente qualquer tipo de acusação ou insinuação" sobre o seu percurso académico.

"Até há umas semanas atrás, antes de ter sido eleito secretário-geral do PSD, eu era um ex-governante respeitado, um grande especialista em matérias de emigração, com vasta obra publicada, uma pessoa muito credível. Já me tinham dito nas últimas semanas que podiam começar a surgir coisas como esta", afirmou então o dirigente social-democrata.

Situação está corrigida, diz Rui Rio

"É inequívoco que ele fez referência a um aspeto do seu currículo que não era preciso e corrigiu, é esta informação que eu tenho e ele deu essa informação à comunicação social", afirmou Rui Rio também durante o fim de semanal no final do Congresso do CDS-PP, em Lamego.

Feliciano Barreiras Duarte não esteve presente no congresso dos centristas, mas o líder do PSD explicou que as duas situações não estavam relacionadas.

"A vinda cá não tem a ver com isso, ele não estava na delegação, houve um momento que disseram que estava, mas nunca esteve", afirmou também o líder social-democrata.

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