Pelo menos 15 câmaras foram alvos de buscas esta quarta-feira

A operação Tutti Frutti investiga crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido

As Câmaras Municipais de Barcelos, Póvoa de Lanhoso, Vila Nova de Gaia, Santa Maria da Feira, Esposende, Vila Nova de Famalicão, Marinha Grande, Golegã, Oeiras, Cascais, Loures, Lisboa, Faro e Ponta Delgada foram algumas das autarquias visitadas pela Polícia Judiciária no âmbito da Operação Tutti Frutti, que foi desencadeada esta quarta-feira, e que incluiu cerca de 70 buscas a câmaras, juntas de freguesia, instalações do PSD e do PS, empresas, escritórios de advogados e domicílios particulares.

De acordo com um comunicado da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, estão sob investigação crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido. Segundo o documento da PGDL as buscas envolveram três juízes de instrução, 12 magistrados do Ministério Público, peritos informáticos e financeiros da Polícia Judiciária, num total de 200 pessoas.

Na investigação, liderada pela secção distrital do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, apurou-se, acrescenta a PGDL, "[...] que um grupo de indivíduos ligados às estruturas de partido político, desenvolveram entre si influências destinadas a alcançar a celebração de contratos públicos, incluindo avenças com pessoas singulares e outras posições estratégicas".

Os municípios em causa, além de Lisboa, Marinha Grande, Cascais, Faro, Ponta Delgada, Barcelos, Póvoa de Lanhoso, Loures e Santa Maria da Feira e as juntas de freguesia do Parque das Nações e do Areeiro (Lisboa) confirmaram até ao final da tarde a presença da PJ, mas a maioria referiu que as operações estão relacionadas com entidades externas.

A investigação incide num período que vai de 2016 até outubro de 2017, mês em que se realizaram as eleições autárquicas.

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