PAN saúda decisão que acaba com garraiada na Queima das Fitas

Partido Pessoas-Animais-Natureza considera este uma sinal das novas gerações e recorda que touradas já só são legais em oito países

O partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) saudou esta quarta-feira a decisão dos estudantes de Coimbra de acabar com a garraiada na Queima das Fitas, considerando o resultado um sinal de uma nova geração "desperta para mudanças sociais".

Os alunos da Universidade de Coimbra decidiram acabar com a garraiada na Queima das Fitas, com o "Não" a recolher 70,7% dos votos, no referendo realizado na terça-feira.

"A adesão dos estudantes a este referendo e os resultados são reveladores de uma nova geração que está desperta para as mudanças sociais de uma nova época e de uma nova consciência", sublinhou o deputado do PAN, André Silva, citado numa nota de imprensa enviada à Lusa.

Para André Silva, a vitória do "Não" "vem reconfirmar que a esmagadora maioria dos portugueses rejeita a tortura de animais para divertimento e pede o fim da tauromaquia".

"É inequívoco que quem representa o futuro não se revê nesta prática", sublinha o PAN.

Na nota de imprensa, o partido recorda que já em 2016 a Queima das Fitas do Porto tinha optado por suspender a garraiada académica, pela falta de adesão dos estudantes.

"É inequívoco que quem representa o futuro não se revê nesta prática"

"Mesmo que a garraiada não inclua, ao contrário das touradas, a parte mais sanguinária do espetáculo, esta prática já não é representativa dos estudantes", nota o partido.

Segundo o PAN, o resultado do referendo em Coimbra revela um "indício de que o cerco às touradas em Portugal e na Europa está a aumentar, com cada vez mais referendos e manifestações públicas que defendem a abolição da tauromaquia".

"As touradas só já são legais em oito países no mundo e as consciências estão a mudar naqueles, como Portugal, onde ainda são permitidas", frisou o partido, na mesma nota.

Na terça-feira, à pergunta "Deve o evento garraiada continuar no programa oficial da Queima das Fitas?", 70,7% dos estudantes que participaram no referendo responderam "Não", 26,7% "Sim", contabilizando-se ainda 49 votos nulos e 96 votos em branco, disse à agência Lusa o secretário-geral da Comissão Organizadora da Queima das Fitas (COQF) Manuel Lourenço.

Ao todo, registaram-se 5638 votos, num universo de cerca de 24 mil estudantes, acrescentou.

A afluência às urnas para este referendo foi significativa, atendendo que nas eleições para a direção-geral da Associação Académica de Coimbra (AAC) participaram quase oito mil estudantes, em 2017, e menos de cinco mil, em 2016.

Segundo Manuel Lourenço, após este resultado, o Conselho de Veteranos, que é um dos órgãos tutelares da Queima das Fitas e que rege as atividades tradicionais terá "a palavra final".

No entanto, o secretário-geral da COQF não acredita que, "em momento algum, o Conselho de Veteranos não honre a vontade dos estudantes, até porque já disse que iria honrar" o desejo destes.

A Queima das Fitas de Coimbra realiza-se este ano de 4 a 11 de maio.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Falta (transparência) de financiamento na ciência

No início de 2018 foi apresentado em Portugal um relatório da OCDE sobre Ensino Superior e a Ciência. No diagnóstico feito à situação portuguesa conclui-se que é imperativa a necessidade de reformar e reorganizar a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), de aumentar a sua capacidade de gestão estratégica e de afastar o risco de captura de financiamento por áreas ou grupos. Quase um ano depois, relativamente a estas medidas que se impunham, o governo nada fez.

Premium

Opinião

Angola, o renascimento de uma nação

A guerra do Kosovo foi das raras seguras para os jornalistas. Os do poder, os kosovares sérvios, não queriam acirrar ainda mais a má vontade insana que a outra Europa e a América tinham contra eles, e os rebeldes, os kosovares muçulmanos, viam nas notícias internacionais o seu abono de família. Um dia, 1998, 1999, não sei ao certo, eu e o fotógrafo Luís Vasconcelos íamos de carro por um vale ladeado, à direita, por colinas - de Mitrovica para Pec, perto da fronteira com o Montenegro. E foi então que vi a esteira de sucessivos fumos, adiantados a nós, numa estrada paralela que parecia haver nas colinas.