PAN pedala por melhores ciclovias e pede partilha de carros

Bebiana Cunha faz campanha de bicicleta. Ilda Figueiredo (CDU) foi a ringue municipal degradado denunciar o fraco apoio ao desporto

Equipada a rigor, com câmara go-pro instalada no capacete, Bebiana Cunha tem percorrido desde terça-feira a cidade do Porto na sua bicicleta elétrica. É a campanha eleitoral da candidata do PAN, partido que se apresenta pela primeira vez nesta corrida autárquica e que pretende eleger dois deputados municipais e acalenta ainda a esperança de colocar um vereador no executivo. Os percursos de bicicleta que durante três dias realiza pelo Porto servem o propósito de "discutir a mobilidade da cidade, as acessibilidades e o urbanismo".

Antes de liderar o grupo de sete bicicletas, a psicóloga que nasceu no bairro da Sé disse ontem que estas temáticas são decisivas para a inclusão. "Se resolvermos os problemas de mobilidade estamos a diminuir o problema de desigualdades sociais. Estamos a permitir a todos ter acessos às mesmas coisas", diz. A aposta do PAN é nos transportes públicos, mas a preços acessíveis, e nos sistemas de partilha de veículos, automóveis e bicicletas, ambos em sistema elétrico porque a orografia do Porto assim o exige. A Câmara deve ter a iniciativa, alega. "A par disso é essencial criar percursos adequados. Temos poucas ciclovias e são inseguras", aponta Bebiana Cunha, recorrendo ao percurso efetuado de véspera. "Dou o exemplo da Asprela, passamos lá e aquilo parece mais preparado para fazer BTT do que para andar de bicicleta. Fazer uma ciclovia não é pegar numa trincha e pintá-la no chão."

Nestes percursos pela cidade, o PAN deu conta que as ciclovias existentes não estão interligadas. "Temos uma na Boavista, outra na Asprela e depois pequenos troços - isto não faz sentido. E podem servir para ligar os espaços verdes da cidade, criando zonas de recreio e de convívio, com mais hortas urbanas. Queremos uma cidade mais pensada como um todo e não aos pedaços", diz a candidata que acredita no sucesso a 1 de outubro, embalados pelos resultados das legislativas, em que obteve 2522 votos. "Estamos a trabalhar para eleger dois deputados municipais. Somos um partido recente e a minha eleição vai depender se os portuenses acreditarem nesta candidatura."

CDU quer pelouro de desporto

No ringue existente no Bairro de S. Tomé, Ilda Figueiredo e a candidatura da CDU encontrou "um espaço abandonado", cheio de lixo e degradado. E municipal. Por isso, a candidata escolheu o local para criticar a política camarária em relação ao desporto. "A câmara não só não tem um pelouro do desporto e do associativismo, e devia ter, como por outro lado não incentiva a prática do desporto, não apoia os clubes da cidade o que levou a que alguns tivessem de deixar a sua atividade", disse Ilda Figueiredo, acrescentando que muitas associações são obrigadas a "pagar a utilização de espaços" desportivos.

A falta de apoio técnico e financeiro na cidade do Porto levou a "uma diminuição muito séria da prática do desporto popular. Temos vindo a chamar a atenção para a recuperação de equipamentos que existem, que são poucos, mas que mesmo assim estão ao abandono como este. Há mais." Ilda Figueiredo apontou que "na última conta de gerência" há um "saldo positivo de 66 milhões de euros" e que "com 5% desse saldo positivo" é possível ter uma verdadeira política desportiva. A candidata de CDU, que ontem também visitou o Centro Social de S. Nicolau e o Bairro da Mouteira, defende uma alteração de políticas, com os exemplos da "reversão do negócio que entregou o pavilhão Rosa Mota ao privado, recuperando-o para o serviço público" e da "construção de mais pavilhões e piscinas".

Rui Rio chega à campanha

Álvaro Almeida também fez críticas a Rui Moreira, enquanto visitava a Loja do Cidadão nas Antas, um exemplo de transparência que diz não existir na Câmara. "Uma das nossas propostas passa pela simplificação administrativa na câmara, menos burocrática, maior utilização de novas tecnologias, mais transparência", apontou e recuperou que índice de transparência municipal que colocava o Porto em 26º lugar em 2013 e no 141º em 2016. "É sinal que houve perda de transparência. Tivesse agora a câmara a mesma transparência que tinha no tempo do dr. Rui Rio", atirou. Hoje o antigo presidente da Câmara entra na campanha, numa arruada com o candidato do PSD.

Pizarro de metro

O candidato do PS viajou ontem de metro, e mostrou o passe Andante que usa para ir ao futebol. Disse que o PS tem mérito na obra municipal, na habitação, na ação social, no urbanismo, citando o Bolhão. Manuel Pizarro apontou que "é um balanço de Rui Moreira e é um balanço do PS", ou seja, "é a prestação de contas de uma governação conjunta".

Moreira no Bolhão

Na visita ao mercado temporário do Bolhão, pronto para acolher 86 comerciantes durante os dois anos de obras, que devem começar em janeiro, Rui Moreira reagiu ao PS que reivindicou o mérito na obra. "Não esteve sob a alçada do PS", mas "sob a alçada direta do presidente da Câmara", respondeu.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.