Novo partido liberal quer ir a votos já em 2019

Iniciativa Liberal aguarda validação dos juízes mas já está no terreno. O alvo é 2019 e o objetivo ambicioso: três a quatro deputados

À espera que o correio traga a boa nova da formalização do partido pelo Tribunal Constitucional, e pode ser já hoje, os responsáveis da Iniciativa Liberal entendem que esse será um pro forma para aquilo que já está a acontecer no terreno: "Aquilo que estamos à espera que o Tribunal Constitucional é apenas dar-nos uma validação de participação eleitoral. Na nossa leitura nós já somos partido", justificou ao DN o secretário-geral do novo partido, Rodrigo Saraiva.

A Iniciativa Liberal (IL, e esta é a sigla que acompanha o novo partido) está a dar os passos necessários para chegar a eleições nas europeias e nas legislativas de 2019 - se o calendário eleitoral se mantiver como previsto. Se porventura o país for chamado a votos antes da data, a IL está preparada. "Não iremos perder a oportunidade de começar a afirmar a nossa visão independentemente de não termos alguns processos terminados", notou Rodrigo Saraiva. "Iríamos a jogo."

Para chegar ao jogo, a 20 de setembro foram entregues no Tribunal Constitucional as 8176 assinaturas de cidadãos eleitores, a 26 de novembro realizou-se a Convenção Fundadora no Porto, "e não foi por acaso esta escolha", notou o dirigente, referindo-se aos pergaminhos liberais da cidade. Logo depois, de 1 a 3 de dezembro, uma delegação da IL participou no congresso da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (ALDE), em Amesterdão (Holanda), onde o partido foi acolhido como membro. E, neste momento, está em debate a agenda política, até março ou abril de 2018, para posterior aprovação na primeira convenção programática do partido.

Esta agenda política será construída "de forma colaborativa", como aconteceu com o Manifesto, o documento de orientação política já disponível, que "foi todo ele [construído] de forma digital": "Criámos a plataforma e as pessoas colocaram os seus contributos." A discussão em torno da agenda política não será só através da participação digital, antecipou Rodrigo Saraiva. "Fizemos um evento no Porto sobre emprego jovem, de onde retirámos contributos."

É na agenda política que serão concretizadas muitas das linhas apontadas no Manifesto. Para começar, "o Estado deve ter limites na sua capacidade de endividamento e apropriação de recursos das pessoas ou organizações, nomeadamente através de taxas ou impostos". Esse limite não está quantificado, admitiu o secretário-geral da IL. "Está muito aceso este debate" na sociedade portuguesa, "até na Iniciativa Liberal", reconheceu Rodrigo Saraiva.

Outro ponto em debate será o federalismo. "Claramente europeístas e globalistas", os liberais portugueses recusam o protecionismo mas mantêm em aberto a discussão sobre o federalismo, que "também vai ter de ser concluída na convenção".

As respostas serão dadas pela agenda, quando da convenção programática. Desta agenda sairá o programa específico para as eleições europeias e para as legislativas. "Queremos ter medidas de governação, não apenas de protesto", sintetizou o responsável.

Para que tudo isto se concretize há um objetivo ambicioso definido já para 2019: um ou dois eurodeputados eleitos para o Parlamento Europeu; três ou quatro parlamentares para a Assembleia da República. Afinal, argumentou o secretário-geral da IL, "não existe nenhum partido liberal" em Portugal. "Não havia até agora nenhuma oferta política liberal. Ponto." E há espaço para esse novo projeto, que tem pessoas que já foram "militantes do PSD, até do PS". "Conseguimos qualificar o nosso público-alvo, só não conseguimos ainda quantificar."

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