Morreu Fernanda da Bernarda, a dirigente estudantil na crise de 1969 em Coimbra

A advogada morreu em Setúbal, aos 73 anos

A advogada e dirigente estudantil na crise académica de 1969 em Coimbra morreu, em Setúbal, aos 73 anos de idade, disse à agência Lusa um amigo da família.

Distinguida pelo Presidente da República Jorge Sampaio com Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, Maria Fernanda Vieira da Bernarda nasceu, em dezembro de 1944, em Alcobaça e estudou em Coimbra, onde foi fundadora de uma das primeiras repúblicas de estudantes feminina.

Destacada dirigente do movimento estudantil que, no final da década de 1960, ficou conhecido por 'crise académica de 69' (e que levou à substituição do ministro da Educação, José Hermano Saraiva, por Veiga Simão e à aceitação prévia do novo reitor da Universidade de Coimbra, Gouveia Monteiro), Fernanda da Bernarda foi, então, secretária-geral da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra.

Antes de 1974, Fernanda da Bernarda militou durante algum tempo no Partido Comunista Português (PCP) e, depois do 25 de Abril, no Movimento de Esquerda Socialistas (MES) e pertenceu à Loja Humanidade da Ordem Maçónica Mista Internacional Le Droit Humain.

Advogada de sindicatos no Porto e em Lisboa, nos TLP (Telefones de Lisboa e Porto) e na PT (Portugal Telecom), Fernanda da Bernarda terminou a carreira como adjunta do Provedor do Cliente de Telecomunicações do Grupo PT.

Fernanda da Bernarda padeceu durante mais de três décadas de esclerose múltipla que, na última década, a manteve acamada, disse ainda à agência Lusa, José Matos Pereira, amigo e seu colega, designadamente na direção da AAC em 1969 e quando foi Provedor do Cliente de Telecomunicações do Grupo PT.

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