Ministra admite que margem de negociação com Bruxelas é "pequena"

Ana Paula Vitorino salienta que "temos equipas experientes e habituadas a lidar com este tipo de matérias"

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, admitiu este domingo, no Porto, existir uma "margem pequena" para o Governo negociar o Orçamento do Estado com Bruxelas.

"Com a herança que nós tivemos [Portugal] há uma margem pequena, mas também temos grande capacidade de encontrar soluções de mostrar aos parceiros da Europa que o que estamos a fazer é a bem dos portugueses", disse a ministra aos jornalistas, à margem da sessão de apresentação da candidatura de Manuel Pizarro à liderança da Federação Distrital do Porto do PS.

Sem querer fazer mais comentários sobre as negociações entre o Governo e Bruxelas sobre o Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), Ana Paula Vitorino apenas acrescentou que essa é uma "matéria conduzida e liderada pelo ministro [das Finanças] Mário Centeno".

"Mas temos equipas experientes e habituadas a lidar com este tipo de matérias", sustentou, concluindo que "se fosse fácil não era para nós".

Também presente nesta iniciativa, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, preferiu não comentar o assunto, apenas dizendo tratar-se de "uma matéria que transcende" a sua pasta.

Contudo, Matos Fernandes disse acreditar estar-se "muito perto de uma plataforma de entendimento" com Bruxelas.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?