A greve dos técnicos de diagnóstico, que dura há uma semana, já terá afetado os exames de "mais de cem mil doentes em todo o país", garante o sindicato do setor. Desde o dia 2 deste mês que os técnicos de análises, radiologia, cardiopneumologia e farmácia estão em greve nos hospitais públicos, uma paralisação a que se juntaram ontem os médicos, o que bloqueou muitos serviços de diversos hospitais.."São os nossos doentes que estão a ser postos em causa, com todos estes atrasos processuais que não deviam ter existido. Na área da terapêutica somos muitos importantes, temos essa consciência", disse ao DN o presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica (STSS), Almerindo Rego, enquanto lembrava que há pelo menos quatro profissões ali inscritas que podem bloquear o Serviço Nacional de Saúde: análises clínicas, farmácia, radiologia e cardiopneumologia..Os Técnicos Superiores das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica são constituídos por 19 profissões, num total de cerca de dez mil profissionais. Por isso esta greve está a afetar "praticamente todos os serviços de saúde, com especial incidência nos blocos operatórios, altas e internamentos hospitalares, diagnósticos diferenciados em todas as áreas de intervenção clínica, planos terapêuticos em curso, distribuição de medicamentos, prevenção em saúde, etc."..À meia-noite de terça-feira, o secretário de Estado da Saúde ligou ao presidente do STSS, dando-lhe conta de que da parte do Ministério das Finanças não estava ainda pronto o documento que permitirá a todas as partes uma base de negociação. "Não é por parte do Ministério da Saúde que este problema não foi resolvido", sublinha Almerindo Rego, canalizando o problema para a "falta de sensibilidade do Ministério das Finanças para discutir connosco e com o Ministério da Saúde os custos financeiros do cumprimento da lei. Estamos a falar de um processo que se arrasta há 18 anos.".Os técnicos de diagnóstico reivindicam, afinal, a progressão na carreira. "Depois de diversas vicissitudes tivemos a intervenção da troika em Portugal, que congelou tudo o que era negociação de carreiras. E nós fomos "atropelados" pela situação que atravessou todo o país", conclui..Joana Silva é um desses casos. Técnica de análises clínicas e saúde pública, trabalha há 23 anos no Serviço Nacional de Saúde. Por estes dias cumpriu os serviços mínimos que a greve impõe, foi à manifestação de Lisboa e está de corpo e alma na paralisação "por tempo indeterminado". Às 16.00 de ontem já recusara "mais de 400 pedidos de análises" no hospital em que trabalha, na região centro..Os médicos cumpriram ontem também um dia de greve, que registou adesão de 100% em alguns serviços hospitalares. Justificada pelo Sindicato Independente dos Médicos e pela Federação Nacional dos Médicos pela ausência de "uma contraproposta concreta" da parte da tutela nas negociações que se arrastam há meses, a greve foi ainda acompanhada das declarações do bastonário, Miguel Guimarães, a pedir a demissão do presidente do Conselho Nacional de Saúde. Em causa estão declarações recentes de Jorge Simões, sobre o atendimento por parte de "outros profissionais de saúde". "Está nas mãos do ministro da Saúde, ele é que tem de escolher se vai querer uma saúde com os médicos ou sem eles", conclui o bastonário.