Ministro da Saúde pede desculpas às vítimas
Adalberto Campos Fernandes falava no parlamento, onde o Orçamento do Estado para 2018 na Saúde está a ser debatido na especialidade.
No dia em que se soube da quinta vítima mortal do surto de 'legionella' que afetou o Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, o ministro começou por lamentar esta morte e afirmou que as vítimas são credoras de um pedido de desculpas "do hospital, das empresas responsáveis pela vigilância, da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo".
[destaque: O ministro subscreve o pedido de desculpas, "enquanto responsável pelo governo", acrescentando: "Tem de haver reparação no âmbito da responsabilidade civil por quem possa não ter feito aquilo que devia ter sido feito"]
O surto de 'legionella', que infetou 48 pessoas, começou no dia 03 de novembro e Adalberto Campos Fernandes garantiu que o seu ministério tudo fará para que a origem seja identificada.
"Isto não serve de desculpas para que os hospitais e as empresas não estejam reguladas por uma legislação mais exigente", disse, anunciando que na próxima quarta-feira a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) vão publicar orientações atualizadas e "mais exigentes" para estas situações.
O ministro recordou ainda que tanto a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e o Ministério Público estão a acompanhar o caso.
A 'legionella' é uma bactéria responsável pela doença dos legionários, uma forma de pneumonia grave que se inicia habitualmente com tosse seca, febre, arrepios, dor de cabeça, dores musculares e dificuldade respiratória, podendo também surgir dor abdominal e diarreia. A incubação da doença tem um período de cinco a seis dias depois da infeção, podendo ir até 10 dias.
A infeção pode ser contraída por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada. Apesar de grave, a infeção tem tratamento efetivo.
O caso de Lisboa
A Direção-geral da Saúde (DGS) anunciou hoje que o número de casos confirmados de doença dos legionários do surto no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, subiu para 48, mais dois relativamente ao balanço anterior.
Num balanço feito às 12:30, a DGS informa que seis doentes com 'legionella' estão internados em Unidades de Cuidados Intensivos e que cinco pessoas morreram.
Há ainda 28 infetados (58% do total de infetados) que estão internados em enfermarias, enquanto 34 (71%) já tiveram alta clínica, adianta a DGS num comunicado publicado no seu 'site'.
O caso de Mangualde
A Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) revelou hoje que foi detetada 'legionella' ambiental numa colheita efetuada em meados de outubro no Centro de Saúde de Mangualde, espaço que mantém "a sua atividade normal".
"O ACeS [Agrupamento de Centros de Saúde] Dão Lafões e os Serviços de Saúde Pública asseguram as medidas adequadas para a continuação do controlo da situação, não havendo evidência de risco acrescido para a saúde pública, mantendo o Centro de Saúde de Mangualde a sua atividade normal", informou a ARSC em nota enviada à agência Lusa.
Na informação, a ARSC recordou que, no âmbito do Programa de Vigilância e Controle do Agrupamento de Centros de Saúde do ACeS Dão Lafões, já tinha sido detetada, em 2016, 'legionella' ambiental nesta unidade de saúde, em análise feita pela Unidade de Saúde Pública (USP).
"A direção deste ACeS, em colaboração com o Departamento de Saúde Pública (DSP) da ARSC, desencadeou os mecanismos de controlo habitualmente utilizados, nomeadamente a desinfeção da água da rede. Posteriormente, foram feitas novas análises com resultados negativos", acrescentou.
De então para cá, o Programa de Vigilância foi mantido pela Unidade de Saúde Pública, que veio a detetar novamente 'legionella' ambiental na colheita efetuada a 19 de outubro deste ano.

