Legionella: Confirmados 26 casos. Duas pessoas nos cuidados intensivos

O número de casos detetados no Hospital de São Francisco Xavier em Lisboa, desde o dia 31 de outubro, subiu para 24

A Direação-geral de Saúde DGS anunciou esta tarde de domingo que o número de casos de pessoas infetadas com legionella no Hospital S. Francisco Xavier subiu para 26, estando duas pessoas internadas nos cuidados intensivos.

Ao fim da manhã, a DGS tinha dado nota que, no seu site, que havia "24 casos de doença dos legionários, confirmados laboratorialmente". O último balanço de sábado dava conta de 19 doentes.

Apenas um dos afetados já teve alta "e os restantes mantêm-se internados, dos quais dois em unidade de cuidados intensivos, três na urgência e 17 em enfermaria", adianta o SNS.

Governo assegura que casos detetados "estão controlados e estabilizados"

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, assegura que os 24 casos de doença dos legionários até agora detetados no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, "estão controlados e estabilizados", não existindo "prognósticos reservados".

"As situações, do ponto de vista clínico, estão controladas, estão estabilizadas. Há dois doentes em cuidados intensivos, mas também numa situação estável e, portanto, [...] apesar de o número de doentes ser significativo, temos confianças nas equipas médicas e de enfermagem que têm estado a trabalhar no sentido de preservar a vida destes utentes e as coisas estão absolutamente controladas", disse Manuel Delgado, que falava aos jornalistas no Hospital de São Francisco Xavier.

Não há, até este momento, prognósticos reservados em matéria da recuperação destes doentes

Manuel Delgado visitou o Hospital São Francisco Xavier para se inteirar do estado dos doentes e das medidas tomadas no âmbito das ocorrências da doença dos legionários.

O secretário de Estado reuniu-se com a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e com a presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central, Rita Perez.

Questionado pelos jornalistas se existem razões para preocupação, Manuel Delgado recusou alarmismo, sublinhando que "foram tomadas as medidas que se impunham", desde a deteção do primeiro caso, a 31 de outubro.

"Imediatamente se estabeleceu uma equipa com a Direção-Geral de Saúde, o Instituto Nacional Ricardo Jorge [...] e o próprio hospital de São Francisco Xavier, no sentido de criar uma 'task force' [unidade específica] que investigasse a situação", notou.

De acordo com Manuel Delgado, "uma das medidas prioritárias foi, desde logo, o ataque do ponto de vista químico e térmico à água do reservatório do hospital e isso permitiu identificar as condições para melhorar a situação".

Vai-nos permitir agora identificar, através de uma análise que vai ser feita ainda hoje, se essa atitude corretiva teve resultados positivos, que esperemos que tenha tido

Manuel Delgado adiantou que "há aqui um nexo causal entre os casos e a presença destas pessoas no hospital em datas anteriores", rejeitando mais casos noutras unidades de saúde.

Segundo Graça Freitas, está em prática o plano de contingência previsto para casos deste género

"A bactéria [da legionella] é comum na natureza", disse ontem a atual líder da Direção Geral de Saúde (DGS). "Estas bactérias vivem na água quente e temos tido um outono particularmente quente".

A origem da doença está na água do Hospital São Francisco Xavier, mas Graça Freitas afirma que este tipo de casos são naturais acontecer. "A boa notícia é que o hospital deu o alerta a partir do momento em que detetou três casos e que tomou medidas para evitar o contágio", disse.

Os doentes são na sua maioria idosos com fatores de risco associados.

Precauções

"De forma a facilitar a implementação das medidas de controlo, o INEM irá redirecionar temporariamente para outras instituições hospitalares os doentes mais graves que se destinariam ao Serviço de Urgência do Hospital de São Francisco Xavier, que se irá manter aberto para os restantes doentes", acrescenta o comunicado.

A doença, lembra a DGS, transmite-se através da inalação de aerossóis contaminados com a bactéria e não através da ingestão de água. A infeção, apesar de poder ser grave, tem tratamento efetivo.

PCP quer explicações

O PCP quer que o ministro da Saúde vá ao parlamento explicar o caso de 'legionella' no hospital S. Francisco Xavier por considerar que estes casos colocam em "evidência a falta de investimento numa área fundamental para a saúde pública que é o controlo desta doença".

A situação "é ainda mais preocupante, quando anteriormente se verificaram situações semelhantes em outras unidades hospitalares", apontam os comunistas, acrescentando que "a gravidade e dimensão deste caso está ainda longe de ser conhecida", refere o PCP, num comunicado divulgado hoje.

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