Lagoa recupera torre com 400 anos de onde se dava alerta para piratas

Além desta antiga torre de atalaia, já não resta de pé quase nenhuma das que serviam para proteger a costa algarvia

A Câmara de Lagoa reabilitou uma antiga torre de vigia de onde há 400 anos se avistavam embarcações inimigas e se avisava o povo de possíveis saques, impedindo que acabasse por se desmoronar com o passar do tempo.

A Torre da Lapa, construída no topo de uma falésia em Ferragudo, algures entre os séculos XVI e XVII, é uma antiga torre de atalaia e um dos pontos de vigia do litoral algarvio, mas, além desta, já praticamente nenhuma resta de pé.

Anabela Simão, vereadora da Câmara de Lagoa, contou à Lusa que era da torre que se enviavam sinais de fumo para proteção das povoações contra os ataques de piratas ou outros invasores, que procuravam saquear a produção agrícola, vinhos ou peixe.

"Era quase como uma picota onde teriam o caldeirão e depois, quando avistavam algo na costa, fogueavam, para que o fumo fosse visto dentro da povoação para eles imediatamente acionarem os mecanismos de defesa", explicou.

Construída em alvenaria de pedra e argamassa e de estrutura circular, com cerca de cinco metros de diâmetro, não há certezas quanto à data precisa de construção da torre, mas terá sido provavelmente no séc. XVII.

"Muitas foram construídas no século XVI, pensa-se que esta tenha sido um pouco mais tarde", refere Anabela Simão, sublinhando que deve ser das poucas que ainda restam no Algarve, porque "muitas já tombaram, por falta de recuperação".

Aquela responsável tem conhecimento de outra estrutura semelhante em Tavira, mas nota que "a sua existência [no Algarve] é muito difícil de se encontrar".

Durante os trabalhos de recuperação, que terminaram no ano passado, descobriu-se que o interior da torre era oco, quando se pensava que a torre seria preenchida por dentro.

"Pensávamos que a torre era toda preenchida e quando fizemos a requalificação verificámos que o miolo era todo oco, o que estava lá eram os materiais que com o tempo tinham caído dentro da própria torre", explica Anabela Simão.

Após o início de um processo para a sua classificação como imóvel de interesse concelhio, em 2015, a Direção Regional de Cultura lançou um procedimento para que a torre possa ser classificada como monumento de interesse público nacional.

A abertura do processo de classificação já foi publicada em Diário da República, em agosto de 2017, mas, segundo Anabela Simão, ainda não está concluído.

"É uma mais valia para o concelho na medida em que já temos alguns monumentos classificados como sendo de interesse nacional: a igreja de Estômbar e o promontório Senhora da Rocha, que são dois ícones na nossa história em termos de património", sublinha.

Segundo Anabela Simão, a Torre da Lapa vai ficar integrada no caminho dos promontórios, uma rota pedestre que abrange vários pontos de interesse e onde se pode fazer também observação de aves.

"Neste momento, a torre vai ser um objeto de estudo e vai ter que ter uma visitação, porque, cada vez mais, além do museu, as pessoas gostam de ver os apontamentos museológicos", conclui.

Do ponto onde se situa a torre consegue avistar-se uma boa extensão de oceano e a embocadura do Rio Arade.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.