Jerónimo denuncia "fortes suspeitas de corrupção"

Num concelho CDU, Alcácer do Sal, o líder do PCP abriu as jornadas parlamentares do partido reforçando ataques ao PS

A realidade das parcerias público-privadas (PPP) exige "aprofundado escrutínio" porque nela estão "patentes indisfarçáveis relações de despudorada promiscuidade".

Além do mais, houve um "submissão do poder político ao poder económico", tendo-se as PPP desenvolvido "num quadro de fortes suspeitas de corrupção" e de "tráfico de influências".

Estas afirmações foram feitas esta quinta-feira, ao final da manhã, pelo líder do PCP, Jerónimo de Sousa, na sessão de abertura de mais umas jornadas parlamentares do PCP, sessão que decorreu numa antiga igreja na Pousada de Alcácer do Sal.

Jerónimo falava, em particular, das PPP rodoviárias, com "custos ruinosos" que "condicionam" o "desenvolvimento de outros projetos, pela permanente litigação a que obrigam o Estado para assegurar os interesses públicos".

Ainda sobre parcerias público-privadas, o líder do PCP falou da exigência do PCP sobre "reversão" das que existem no setor da Saúde, inserindo essa proposta num conjunto de várias outras relativas ao SNS incluídas num "plano de emergência" já apresentado pelo partido em fevereiro.

Na intervenção do líder do PCP notou-se um acentuar dos ataques ao PS, ataques marcados por uma tentativa permanente de meter os socialistas no mesmo saco do PSD e CDS.

Temos afirmado que o PS e o seu governo não seguem num bom caminho quando, juntos com PSD e CDS, agem para manter intocáveis os interesses do grande capital

Jerónimo disse que "se avolumam justificadas preocupações" em relação "arrastamento e adiamento de muitos problemas", acrescentou que o Governo de António Costa é "minoritário" e depois acusou o PS de "permanecer acorrentado nas suas opções e orientações de fundo às teses essenciais da política de direita".

Ou seja, a "crescente preocupação" do PCP com a evolução da situação prende-se com "a crescente procura do PS e do seu governo de convergências com PSD e CDS para garantir o essencial da política de direita". E sinal disso foi a atuação "concertada" do PS, PSD e CDS no recente acordo de concertação social - acordo que também significa a impossibilidade de "defender e restituir direitos liquidados ou subvertidos por sucessivos governos nos últimos anos". "Temos afirmado que o PS e o seu governo não seguem num bom caminho quando, juntos com PSD e CDS, agem para manter intocáveis os interesses do grande capital."

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