Radicalismo "é uma perversão do pensamento religioso, que não é monopólio do Islão"

António Guterres alertou ainda para a existência de manifestações racistas, xenófobas e de ódio em Portugal

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou esta sexta-feira que o investimento de Portugal na diversidade tem de continuar com "grande persistência", lembrando que subsistem no país manifestações xenófobas e racistas.

O ex-primeiro-ministro português falava em Lisboa nos "Encontros de reflexão comemorativos dos 50 anos da fundação da Comunidade Islâmica de Lisboa", que decorrem na Mesquita Central de Lisboa.

Num discurso improvisado em português, António Guterres disse que "em muitas sociedades europeias não houve este investimento", nomeadamente por parte de governos.

"A diversidade é uma fonte de riqueza, não é uma ameaça (...). [Mas] só por si não garante a harmonia de uma sociedade", referiu, acrescentando que, "para que haja efetivo pluralismo e uma coesão", tem de haver "um grande investimento", envolvendo governos, autarquias, líderes religiosos e sociedade civil.

Apesar de realçar o investimento feito em Portugal em prol da diversidade, o secretário-geral das Nações Unidas lembrou que ainda há no país manifestações de xenofobia, racismo e ódio contra muçulmanos.

O antigo primeiro-ministro sublinhou que o investimento realizado "tem de ser continuado, e com grande persistência".

Na sua intervenção, que antecedeu a sessão de encerramento, ao contrário do que previa o programa, o secretário-geral das Nações Unidas assinalou que o radicalismo "é uma perversão do pensamento religioso, que não é monopólio do Islão", dando como exemplos os fundamentalismos budista e cristão.

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