Hospital de Cascais proíbe tatuagens e perfume "não agradável"

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul fala em "regulamento marcial". O documento impõe ainda "saias pela altura dos joelhos" e joias "simples e discretas"

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul acusa o novo regulamento do Hospital de Cascais/PPP, aprovado a 16 de outubro de 2017, de ser "intolerável num Estado democrático", acrescentado que "constitui um atentado à Constituição da República". O documento do hospital define regras que incidem sobre o tipo de maquilhagem que os funcionários podem usar, proíbe tatuagens visíveis e piercings e obriga ao uso de saias pelos joelhos, entre outras normas. Quem não cumprir, está sujeito a um procedimento disciplinar.

A acusação é feita no site do sindicato, num longo texto intitulado "Hospital de Cascais impõe regulamento marcial" e publicado esta quinta-feira.

O "Regulamento Interno de utilização e conservação do fardamento e cacifo" do hospital, uma Parceria Público-Privada gerida pelo grupo Lusíadas Saúde - terá sido aprovado em outubro, mas o Sindicato dos Médicos da Zona Sul afirma que o documento só agora chegou ao seu conhecimento. No entanto, sublinha que este é "um exemplo escandaloso de prepotência e de militarização da vida hospitalar".

Entre as novas regras que a unidade de saúde gerida por um grupo privado impõe está a obrigação da "maquilhagem ser discreta, o batom e sombras em cores nude, base, lápis e rímel adequados à fisionomia de cada pessoa", "o desodorizante não deve ter cheiro", "o perfume deve ser leve, fresco e agradável para não incomodar os utentes" e os funcionários não podem usar "chinelos, sandálias e botas".

Mas há mais: "Não podem ser usados piercings, joias, tatuagens de qualquer tipo em locais visíveis do corpo" e "os homens colocados nas receções devem (...) usar meias lisas e discretas, de preferência azuis escuras". Para as mulheres que trabalhem na receção do hospital, também há normas claras: "devem usar a as saias à altura do joelho", a "camisa abotoada ao nível do peito" e só poderão "usar joias simples e discretas em quantidade reduzida".

Segundo o sindicato, o incumprimento do regulamento implica um procedimento disciplinar.

Salientando que este é "mais um triste exemplo da impunidade que gozam as PPP [Parcerias Público-Privadas], a associação sindical exigem "a imediata anulação deste tipo de chantagem e assédio nos locais de trabalho" e garante que vai "acionar todas as diligências legais para impedir" que o hospital se torne uma "caserna militar".

A administração da unidade de saúde não vai fazer, para já, comentários ao assunto.

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