Há uma "reviravolta" no negócio do Montepio com a Santa Casa, revela Marques Mendes

O Governo deixou cair a ideia de fazer entrar a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com 200 milhões de euros no capital do Montepio. Haverá participação mas "modesta"

"Uma má notícia para o Governo mas uma boa notícia para o país". Luís Marques Mendes contou esta noite na SIC que fracassou o negócio Santa Casa da Misericórdia de Lisboa/Montepio, pelo menos nos termos em que estava inicialmente previsto (a SCML entraria com 200 milhões de euros).

Para o comentador político, está-se perante uma "reviravolta" e surgiram três sinais disso: A decisão, segundo o Provedor [da SCML, Edmundo Martinho] era para ser tomada em Janeiro" mas já "estamos em Março e ainda não há decisão, porque tudo mudou"; por outro lado, "a avaliação do Montepio feita pelo Haitong ficou muito abaixo dos 2 mil milhões" e "tão abaixo que a Misericórdia escondeu o valor exato"; por último, "a indicação de Manuel Teixeira para administrador não executivo [do Montepio] é outro sinal de que a operação inicial não se faz". Porque "se se fizesse, a Misericórdia teria um administrador executivo".

Agora, o Governo - que tem no primeiro-ministro o principal defensor deste negócio - procura "salvar a face". E isto "fazendo a Misericórdia de Lisboa entrar mas com uma participação muito mais modesta" e "em conjunto com outras Misericórdias, as quais podem entrar mas com participações meramente simbólicas (mil euros é a hipótese em cima da mesa)".

No entender de Mendes, se esta "reviravolta" não acontecesse, o caso acabaria num inquérito judicial por suspeitas de gestão danosa e num inquérito parlamentar à conduta dos poderes públicos.

Fernando Negrão estreou-se na semana passada como líder parlamentar do PSD ameaçando precisamente o Governo com um inquérito parlamentar, caso percebesse que os interesses da Misericórdia de Lisboa não estariam a ser "acautelados". Ao mesmo tempo, Negrão afirmou o rotundo 'não' do seu partido (e especificamente do seu novo líder, Rui Rio) a este negócio.

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