Governo quer reduzir limite de velocidade para 30 Km/hora nas cidades

Ministro da Administração Interna adiantou algumas medidas para travar as mortes nas estradas

O ministro da Administração Interna considera "absolutamente inaceitável" o elevado número de atropelamentos, sobretudo nas zonas urbanas, e admite generalizar nestas áreas os limites de velocidade de 30km/h, que já existem em alguns bairros. Numa entrevista à Antena 1 que será difundida na íntegra este sábado, Eduardo Cabrita dá conta de algumas medidas para travar as mortes nas estradas.

De acordo com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, no ano passado morreram 76 pessoas atropeladas, mais do que as 70 do ano anterior. Segundo dados do Ministério da Administração Interna citados esta semana pelo Jornal de Notícias, entre janeiro novembro do ano passado, registaram-se 400 atropelamentos com fuga, causando cinco mortos.

Em dezembro, o ministro Eduardo Cabrita anunciou que o Governo queria, logo no início deste ano, definir objetivos para reduzir a sinistralidade rodoviária e refletir sobre qual a intervenção necessária nos atropelamentos, álcool e acidentes com motociclos, os três principais fatores de risco.

Para o ministro, Portugal tem números "absolutamente inaceitáveis de atropelamentos nas áreas urbanas", sendo necessário "identificar as causas e circunstâncias e agir sobre elas".

Atualmente, o limite de velocidade para ligeiros dentro das localidades é de 50 km/hora.

A Comissão Interministerial para a Segurança Rodoviária, presidida pelo ministro da Administração Interna, reúne-se hoje pela primeira vez para analisar a sinistralidade registada em 2017. Dados provisórios da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) dão conta de um total de 509 pessoas mortas nas estradas portuguesas no ano passado, mais 64 do que em 2016 (12,5%), tendo-se também verificado um aumento do número de acidentes e feridos graves.

Segundo a ANSR, em 2017, foram registados 130.157 acidentes nas estradas (127.210 em 2016), 2.181 feridos graves (2.102) e 41.591 feridos ligeiros (39.121).

Além da redução da velocidade máxima para 30 km/hora nas cidades, o Governo quer tornar obrigatória a carta de condução para quem conduzir motociclos de 125 cm3 de cilindrada, mesmo que tenha já carta de automóvel, e vai repensar os mecanismos de inspeção das motas.

* Com Lusa

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