Filipinas interessadas nas corvetas da Marinha

Militares filipinos estiveram duas vezes em Lisboa para ver navios e visitar os estaleiros Arsenal do Alfeite.

Militares das Filipinas visitaram as instalações da Marinha e do Arsenal do Alfeite em 2016 para avaliar as condições de aquisição das corvetas das classes João Coutinho e Batista de Andrade ainda em atividade, soube o DN.

Embora faltem "manifestações concretas de interesse" das Filipinas, uma das fontes disse que a "natureza técnica" da visita, em novembro passado (após a de março), explica-se com a sua vontade em adquirir um ou mais dos três navios a alienar.

A confirmar-se a venda, a reparação e a modernização dos vasos de guerra poderiam ser feitas no Arsenal do Alfeite, a exemplo do que tem ocorrido com navios da Marinha de Marrocos. A Embaixada das Filipinas em Portugal não respondeu ao DN até ao fecho desta edição.

A Defesa disse ao DN que "não há" valores pedidos pelas duas corvetas João Coutinho e uma Batista de Andrade, as quais vão estar operacionais pelo menos até ao final da década. O porta-voz da Marinha, comandante Coelho Dias, adiantou que as João Coutinho em atividade vão estar operacionais até 2020 (a Jacinto Cândido) e 2022 (a António Enes). A Batista de Andrade (João Roby) será desativada em 2020.

Segundo noticiou há dias o site especializado MaxDefense, a equipa de inspetores filipinos que esteve em Portugal a avaliar os três navios recomendou a sua compra ao governo do presidente Rodrigo Duterte. Esse interesse decorre de a Marinha das Filipinas estar a substituir navios que datam da Segunda Guerra Mundial, no âmbito da renovação da frota naval que envolve o desenvolvimento e construção de seis a nove patrulhas.

Com a compra das corvetas portuguesas, em especial das João Coutinho, as Filipinas garantem a atividade naval na transição entre o abate dos navios da sua envelhecida esquadra e a entrada dos novos ao serviço, explicou o MaxDefense, citando fontes de Manila.

Esquadra renovada

Portugal pretende alienar essas corvetas que datam do início dos anos 1970 como parte do processo de modernização - e respetivo financiamento - das Forças Armadas. Isso já sucedeu no passado, com a venda das fragatas João Belo (ao Uruguai) e caças F-16 (Roménia), estando em armazém as aeronaves de transporte Aviocar e os helicópteros Puma. A renovação da esquadra - com navios de apoio à Autoridade Marítima e outras entidades civis - está a ser feita com patrulhas costeiros e oceânicos, semelhantes aos dois saídos há alguns anos dos Estaleiros de Viana. Nas instalações agora usadas pela West Sea (do grupo Martifer) estão a ser construídos mais dois navios de patrulha oceânica (NPO), que o secretário de Estado da Defesa visitou na segunda-feira.

Ao DN, Marcos Perestrello disse haver a convicção de que "é possível reduzir os custos" de futuras unidades daquele NPO (cerca de 35 milhões de euros cada) com a revisão do projeto "e mantendo a eficiência dos navios". Sobre novas encomendas para a Marinha, que já opera dois NPO, Perestrello disse que "ainda não está definido quantas unidades mais" vão ser necessárias - e em função das "possibilidades financeiras futuras". Certo é que, frisou, "queremos criar as condições para termos pelo menos mais dois navios" dessa classe.

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