Fernando Negrão "não espera" rebelião na bancada do PSD

Na eleição realizada esta quinta-feira o candidato conseguiu 35 votos favoráveis, 32 brancos e 21 nulos

Fernando Negrão, o novo líder parlamentar do PSD, eleito com o pior resultado dos últimos anos, não está "à espera de uma rebelião" na bancada e qualifica de "ridículas e infantis" as críticas de alguns deputados.

Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, o novo líder parlamentar social-democrata também questionou a coragem dos críticos que votaram em branco ou nulo (53 deputados), mas que não apresentaram uma candidatura.

"Onde está a coragem e o sentido de responsabilidade dos que votaram em branco ou nulo que não apresentaram candidato?", interrogou-se deputado social-democrata.

Horas depois de ter dito, na SIC-Notícias, que só se demitiria em caso de rebelião interna, Fernando Negrão disse não ver sinais iminentes dessa revolta, tentando relativizar o ambiente crispado dentro do grupo parlamentar.

"Não estou à espera de uma rebelião", afirmou, antes de tomar o seu lugar na primeira fila da bancada do PSD.

Fernando Negrão sublinhou ainda que nunca um grupo parlamentar "tem o apoio de todos os deputados", que "os desígnios da política são, muitas vezes, obscuros" e que conta "com o maior número possível de deputados" do seu partido.

O novo líder parlamentar reiterou também que os votos brancos representam um "benefício de dúvida" e disse acreditar que tem muitos deputados consigo.

"Um terço está comigo, outro terço duvida, mas tenho a certeza que têm sentido de responsabilidade para trabalhar", sintetizou.

Fernando Negrão recusou que, alguma vez, tenha pensado demitir-se depois de ver, na quinta-feira, que 61% não votaram em si, porque "sentiria vergonha".

O novo líder da bancada só poria o cenário de demissão se o presidente do partido tivesse dito que não contava consigo.

O ex-ministro manteve ainda o rótulo de "ridículas e infantis" as críticas de deputados como Sérgio de Azevedo, que atacou a tese de Fernando Negrão dizendo que os votos em branco são favoráveis.

Nos corredores da Assembleia da República, hoje 23 de fevereiro, Sérgio de Azevedo repetiu que é preciso "regressar" ao "plebiscito para a aprovação da Constituição de 1933, num Estado autoritário e fascizante, para se admitir o 'voto branco' como um voto favorável ou (...) de não rejeição".

O ex-vice-presidente da bancada criticou ainda o facto de Fernando Negrão ter falado em "falta de ética" dentro da bancada por membros da sua equipa da direção não terem votado em si, lançando "uma suspeita sobre todos".

Apesar das críticas, Sérgio de Azevedo não contesta a legitimidade de Negrão, nem defende a impugnação das eleições para a direção do grupo parlamentar.

Na eleição realizada na quinta-feira, dia 22 de fevereiro na Assembleia da República, Fernando Negrão conseguiu 35 votos favoráveis, 32 brancos e 21 nulos, tendo votado 88 dos 89 parlamentares sociais-democratas.

Apenas o deputado Pedro Pinto não votou, tal como já tinha admitido na reunião do grupo parlamentar em que foram anunciadas eleições antecipadas.

Fernando Negrão foi o único candidato à sucessão de Hugo Soares, que convocou eleições antecipadas para a liderança parlamentar depois de o novo presidente do PSD, Rui Rio, lhe ter transmitido a vontade de trabalhar com outra direção de bancada.

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