PCP no Governo só se for "patriótico e de esquerda"

Com vista à negociação de um terceiro Orçamento do Estado (2018) com o Governo do PS, Jerónimo de Sousa admitiu haver "boas intenções", mas exigiu mais ação aos socialistas.

O secretário-geral do PCP afirmou que a integração num futuro Governo depende da expressão do voto popular e prática de políticas patrióticas e de esquerda, lamentando as contradições cada vez mais evidentes do executivo do PS.

Em entrevista à agência Lusa, Jerónimo de Sousa fez um balanço positivo no final da segunda sessão da XIII Legislatura, desde logo pelo afastamento de PSD e CDS-PP dos destinos de Portugal, tendo em conta os "avanços" conseguidos em termos de recuperação de rendimentos e direitos pelos trabalhadores e o povo português.

"O PCP sempre afirmou que fará parte de um Governo que corresponda a avanços, uma interrupção com a política de direita. Propomos uma política alternativa, patriótica e de esquerda, com grandes eixos centrais no plano económico, social, europeu. Insisto nesta ideia, o PCP será Governo se o povo português quiser", acentuou.

O Governo minoritário do PS é liderado por António Costa desde 26 de novembro de 2015, após as eleições de 04 de outubro do mesmo ano e nas quais a coligação "Portugal à Frente" (PSD/CDS-PP) se ficou por cerca de 37% dos votos.

"O PCP nunca teve uma visão de isolacionismo, de monopólio. Temos a ideia de que não temos a verdade toda. Hoje, existem muitos democratas e patriotas que estariam em condições de integrar um Governo para executar essa política patriótica e de esquerda que defendemos. Não temos uma visão isolacionista, num quadro de convergências e alianças que é necessário fazer, não para ser poder pelo poder ou integrar um Governo que execute uma política idêntica a esta que o PS está fazendo. O povo determinará a influência e composição das instituições, onde o PCP tem um papel insubstituível, mas não exclusivo", continuou.

Jerónimo de Sousa prometeu, como até aqui, continuar a "examinar conjuntamente Orçamento do Estado e medidas e legislação importantes para o país" com o PS, mas sublinhou não ser possível pedir "ao PCP que deixe de ser o que é, deixe de defender o que defende, só para manter esta situação de conjuntura", criticando o "fixismo" dos socialistas no cumprimento, até exagerado, das metas do défice.

O líder comunista apontou, nos últimos "20 meses", as "dificuldades, limitações e contradições do Governo minoritário do PS, que, apesar de ter ido mais longe em relação ao seu programa, não foi capaz de vencer bloqueios estruturais (submissão ao euro e seus mecanismos, peso da dívida e seu serviço, quase transcendente questão do défice, que foi reduzido a 'mata-cavalos' para além das exigências da própria União Europeia".

Com vista à negociação de um terceiro Orçamento do Estado (2018) com o Governo do PS, Jerónimo de Sousa admitiu haver "boas intenções", mas exigiu mais ação aos socialistas.

"Logo na altura das conversas e encontros com o PS, fizemos notar, independentemente da posição conjunta, que cada partido mantinha o seu posicionamento autónomo, independente. O nosso primeiro e principal compromisso era com os trabalhadores e povo portugueses. Perante matérias concretas, votaríamos em conformidade com esta opção de fundo e compromisso", descreveu.

Contudo, "em questões cruciais, o PS 'encosta' a PSD e CDS (legislação laboral, processo Banif)" e, "em matérias de fundo, PSD e CDS rapidamente esquecem aquela conversa fiada de uma maioria parlamentar ou de um Governo das esquerdas", sendo que, "hoje, essa contradição está mais viva".

Papel importante na definição da situação política portuguesa pode vir a ter a eleição autárquica de 01 de outubro, segundo o líder comunista, apesar de separar escrutínios locais dos nacionais.

"É inevitável que um reforço da Coligação Democrática Unitária (CDU) nas autárquicas teria impacto e consequências na vida nacional para encontrar melhores respostas", reconheceu, referindo-se ao conjunto de PCP, "Os Verdes", Associação Intervenção Democrática (ID) e cidadãos independentes, que governa 34 municípios e tem por objetivo "manter e reforçar posições"

"Em todas as eleições perdemos e ganhamos câmaras [municipais]", disse, destacando que "em algumas, se verifica haver o dobro, o triplo e, até num caso, o quíntuplo dos votos face a eleições legislativas", graças ao "trabalho, honestidade e competência" - lema da CDU.

Desafiado a realçar alguns dos municípios "debaixo de olho", Jerónimo de Sousa elogiou o trabalho do "camarada" e ex-líder parlamentar comunista Bernardino Soares, em Loures, concelho onde o líder comunista é "residente, nascido e criado". Odivelas será uma "batalha mais difícil", mas com "empenho e confiança", tal como em Vila Franca de Xira, serão possíveis bons resultados.

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