De líder do PSD a professor universitário. Para já...

Pedro Passos Coelho deixa no domingo o leme do partido. E vai dedicar-se a dar aulas em várias universidades

No domingo, Pedro Passos Coelho deixa de ser líder do PSD. A pasta será entregue a Rui Rio, após quase oito anos a comandar o partido, dos quais quatro a governar o País. Para já, o líder cessante social-democrata irá dedicar-se à vida académica. O líder cessante tenciona dar aulas em várias universidades, apurou o DN.

Na última iniciativa partidária em que participou, a tomada de posse da nova concelhia de Lisboa, na semana passada, o líder cessante garantiu que o partido conta com ele, mas "agora os protagonistas são outros". É por isso, que dentro dos próximos tempos se manterá arredado da política ativa, disseram ao DN fontes que lhe são próximas. A longo prazo a convicção já não é a mesma. No último domingo, Marques Mendes admitia a hipótese de no futuro Passos poder protagonizar uma candidatura à Presidência da República.

Passos deixa a liderança, e apesar de todas as críticas de que foi alvo por parte de opositores internos - incluindo Rui Rio - mas reúne consenso de ter sido "corajoso" na condução do governo, em tempo de crise profunda no País.

Nas últimas diretas, em 2016, sem rivais à vista, Passos foi eleito com 95% dos votos, o melhor resultado de um candidato único na história do partido. Já tinha perdido o governo para o PS de António Costa, que de braço dado com PCP e BE, conseguiu a maioria parlamentar que lhe faltou para um novo mandato em São Bento . O partido confiou nele. Porque não haveria de confiar se ganhou as eleições legislativas, após quatro anos de austeridade? E que reviravolta houve para que de líder incontestado sentisse que já não tinha condições para continuar a liderar a oposição? Novas eleições, as autárquicas, sobretudo o mau resultado que obteve em Lisboa - depois de ter apostado pessoalmente em Teresa Leal Coelho para encabeçar a lista do partido à capital - ditaram a sua saída.

Poder-se-á dividir em dois tempos a fase de oposição ao Governo PS. Numa primeira, seguindo todas as profecias de um falhanço estrondoso da geringonça, Passos agarrou-se a essa ideia de descalabro para o país a entrada em cena do PCP e do BE na governação. A imagem da "vinda do diabo" desemboca nessa convicção de que Costa e o plano económico-financeiro de Mário Centeno não iam resultar. Adversários acusaram-no de muito fel por não ter conseguido formar governo e ver-se impedido de governar sem o espartilho da troika.

À medida que os resultados económicos do atual executivo foram surgindo - o crescimento do país foi mais do que o esperado, o desemprego caiu, o défice foi reduzido e a dívida também -, os argumentos do líder cessante do PSD tiveram que se ajustar. Passos tornou-se mais agressivo para o adversário socialista e insistiu muito na ideia que o País poderia estar a crescer muito mais do que está se não tivessem sido feitas tantas reversões nas políticas do governo anterior.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?