Cristas quer chefiar o Governo. PSD fala em "megalomania"

Direção do PSD e o próprio Rui Rio desvalorizam a nova ambição eleitoral do CDS: liderar o centro-direita em Portugal.

Rui Rio desvalorizou em pleno congresso do CDS as palavras da líder centrista. "Fez o seu papel" e "muito bem", mas que "naturalmente há uma grande diferença muito grande de votações e intenções de voto" entre o PSD e o CDS. Quando questionado sobre a afirmação da líder centrista ao Expresso de que será a melhor candidata a primeiro-ministro em 2019, Rio virou a ideia ao contrário: "Eu serei o melhor candidato a primeiro-ministro não só que a doutora Assunção Cristas, como que o doutor António Costa".

Fonte da direção do PSD sublinhou ainda ao DN que a ao posicionar o CDS como a única alternativa ao PS revela "megalomania" por parte de Assunção Cristas, que "estará ainda muito sugestionada pelo resultado que obteve nas últimas autárquicas em Lisboa. O resultado em Lisboa mexeu com a componente emotiva da líder do CDS".

Outro destacado social-democrata estabelece um paralelo: "Parece que elegeu Rio como a Teresa Leal Coelho a nível nacional e isso não é razoável". Há ainda quem considere no PSD que "colocou a fasquia tão alta que mesmo que tenha um bom resultado eleitoral pode parecer uma derrota".

Ontem, na SIC, Marques Mendes também frisou que Cristas não poderá repetir no país o resultado de Lisboa. Mas avisou: "Vai crescer e o crescimento será sempre feito à custa do PSD". E por isso, considerou uma "imprudência" desvalorizar a líder centrista, apesar de ter considerado "um exagero" a ideia de que o CDS poderá ser em 2019 maior do que o PSD. Até porque, sublinhou, o sucesso da estratégia de Assunção depende do PSD, que só se estiver fraco é que permitirá o crescimento do partido mais à direita.

Foram para o novo líder do PSD as primeiras palavras de Assunção Cristas no discurso com que ontem ao princípio da tarde encerrou, em Lamego, o 27º congresso nacional do CDS (que a reelegeu líder com quase 90% dos votos dos congressistas, menos cinco pontos percentuais do que os 95% de 2016). "Permitam-me uma palavra especial para o dr. Rui Rio, que iniciou recentemente as suas funções de presidente do PSD, um partido amigo, e em cujo o congresso tive o gosto de estar e atestar a convergência de preocupações temáticas com o CDS", disse - e recebendo aplausos por isso dos militantes.

No resto do discurso, porém, a líder do CDS voltou a pôr toda a ênfase na nova ambição eleitoral do CDS-PP: ser o maior partido do centro-direita em Portugal.

Voltando a reafirmar que ambiciona para Portugal ver o país sob a "liderança do CDS", acrescentaria: "Já provámos que não há impossíveis." E repetiu, mesmo nos momentos finais do seu discurso, com os congressistas aplaudindo-a de pé: "Não há impossíveis!"

O partido é "a alternativa" e "a opção dos que rejeitam o socialismo que nos governou em 14 dos últimos 20 anos", "a esperança dos que desconfiam de um PS encostado à esquerda radical" - enfim, "o partido mais apto a governar o nosso Portugal". E não está a sobrevalorizar expectativas: "Quando me perguntam se não estamos a dar um passo maior do que a perna, a resposta é: não duvidei nunca dos passos decididos de um partido que sabe onde está, sabe o que quer, sabe para onde vai."

"O voto útil acabou"

Contudo, ao mesmo tempo, introduziu notas de prudência ("sabemos de onde partimos e as dificuldades para lá chegar"). E o que interessa em última instância é que vença o conjunto PSD+CDS com maioria absoluta: "Em 2019, para governar, não é preciso ficar em primeiro lugar, é preciso garantir o apoio de um conjunto de 116 deputados". Daí o compromisso: "No que depender de nós tudo faremos para conquistar uma maioria de 116 deputados para o espaço de centro direita nas próximas eleições". Porque "se em 2015 muitos portugueses foram ao engano, porque não tinham qualquer referência para poder antecipar e perceber o que depois aconteceu, agora já ninguém irá ao engano. Hoje o voto útil acabou. Hoje o voto de cada português é mais livre do que nunca."

"Adaptar as prestações sociais"

Até às legislativas de 2019, o CDS enfrentará dois atos eleitorais (em março de 2019 as regionais madeirenses e em junho do mesmo ano as Europeias). Quanto a estas eleições, definiu um objetivo eleitoral mínimo: "Trabalharemos todos intensamente com o Nuno Melo [cabeça de lista anteontem anunciado] para que consiga dobrar o resultado"- portanto, passar de um para dois eurodeputados. Ao mesmo tempo, anunciou mais nomes para a lista, a seguir a Nuno Melo: Luís Pedro Mota Soares (deputado, ex-ministro da Solidariedade Social), Raquel Vaz Pinto (militante há dois anos) e Vasco Weinberg (independente, especialista em Direito do Mar).

Cristas aproveitou também para anunciar aquelas que serão as três prioridades numa governação CDS: a demografia, o território (propondo que o interior tenha um estatuto fiscal de "zona franca regulatória") e a inovação. Falou também da necessidade de se operarem "alterações significativas" no sistema de saúde, dizendo que o CDS apresentará "um sistema bem articulado de cuidados hospitalares, cuidados continuados e cuidados paliativos, nomeadamente ao domicílio". Passou também pela questão da Segurança Social, falando, sem pormenorizar, na importância de "adaptar as prestações sociais aos novos tempos". Evitou no entanto cuidadosamente associar esta ideia à de cortes nas pensões: " Não deixamos ninguém desprotegido."

Pescando à esquerda, manifestou-se uma forte defensora de igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres. Ficou uma promessa: "Não responder mais a questões sobre como concilio trabalho e família, até ao momento em que essa mesma questão seja colocada aos homens que são pais e têm uma vida profissional e pública ativa".

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Nuno Artur Silva

Notícias da frente da guerra

Passaram cem anos do fim da Primeira Guerra Mundial. Foi a data do Armistício assinado entre os Aliados e o Império Alemão e do cessar-fogo na Frente Ocidental. As hostilidades continuaram ainda em outras regiões. Duas décadas depois, começava a Segunda Guerra Mundial, "um conflito militar global (...) Marcado por um número significativo de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 e mais de 70 milhões de mortes" (Wikipédia).