Como é a vida em Portugal? Melhor na educação, pior no resto

Relatório da OCDE mostra que entre 2009 e 2015, o país perdeu qualidade de vida

Mais pessoas a terminar o ensino secundário, qualidade do ar acima da média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) e aumento do saneamento básico. Estes são alguns (dos poucos) pontos em que o bem-estar nacional melhorou entre 2009 e 2015. O relatório How"s Life? 2015 da OCDE coloca Portugal - tal como os outros países intervencionados - entre os que mais viram o seu bem estar retroceder.

De 2009 até hoje, os portugueses desinteressaram-se da política e vão menos às urnas, aumentou a percentagem de população que trabalha mais de 50 horas por semana, o rendimento disponível das famílias per capita baixou, os rendimentos são inferiores à média da OCDE e o risco de desemprego é maior. Esta é a terceira vez - começou em 2011 - que a organização faz este relatório sobre a perceção do bem-estar entre os seus países membros.

Apesar de existirem países onde a vida corre melhor aos seus habitantes, a OCDE sublinha que nenhum consegue nota positiva em todos os parâmetros. Embora reconheça que "alguns aspetos do bem-estar (como rendimento familiar, riqueza, trabalho e satisfação com a vida) são geralmente melhores em países com maior PIB per capita, existem também muitas diferenças entre países com PIB similares. Isto sublinha a importância de dar mais atenção aos muitos fatores para lá do PIB que molda as experiências de vida das pessoas". Em causa estão questões como o equilíbrio entre a vida familiar e profissional, o risco de desemprego ou a segurança.

Uma das preocupações centrais da OCDE é o bem-estar infantil. "As políticas vão falhar na construção de uma sociedade melhor se não tiverem em conta as necessidades de todos os seus membros - particularmente os mais jovens. A luta contra as desigualdades começa por assegurar que todos tenham oportunidade para serem bem-sucedidos na vida, especialmente desde uma idade precoce", defendeu, na apresentação do relatório, José Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE.

Pela primeira vez, o bem-estar dos mais novos é analisado e, no que diz respeito às condições materiais, Portugal não tem resultados muito positivos. Reflexo das dificuldades económicas que o país atravessa, 15% das crianças vivem num lar em que pelo menos um dos pais está desempregado há mais de 12 meses, a segunda mais alta taxa da OCDE.

Mais positiva é a realização educacional: entre 2009 e 2013, a percentagem de adultos em idade ativa que completaram o ensino secundário aumentou 10,2 pontos percentuais, para os 40%. No entanto, este avanço acaba por ser menorizado quando comparado com a média da OCDE (77,2% concluíram o secundário). No dia-a-dia da escola, 79,2% dos estudantes referem que os seus colegas são simpáticos e prestáveis - o que representa uma das taxas mais elevadas entre os 37 países analisados. Ao mesmo tempo, 14% das crianças portuguesas referem que, nos últimos dois meses, foram vítimas de pelo menos dois episódios de bullying. As crianças das famílias mais ricas referem ser mais fácil falar com os pais e reconhecem que os colegas de escola são mais simpáticos com elas.

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